O Brasil registrou, em 2024, a menor taxa de homicídios dos últimos 11 anos, segundo o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta terça-feira (26).
O levantamento aponta 42.590 homicídios registrados oficialmente no país no ano passado, o equivalente a 20,1 assassinatos por 100 mil habitantes.
A redução foi observada tanto na comparação anual quanto em recortes mais amplos da série histórica. Em relação a 2023, a taxa caiu 7,4%, enquanto o número absoluto de mortes recuou 6,9%. No ano anterior, haviam sido registrados 45.747 homicídios.
Segundo os pesquisadores, a queda pode ser associada a mudanças nas políticas estaduais e municipais de segurança pública, às mudanças nos diagnósticos territoriais da criminalidade; às alterações nas dinâmicas do crime organizado, incluindo tréguas entre facções em determinadas regiões; e ao envelhecimento da população, uma vez que os jovens continuam sendo o principal grupo de vítimas.
O Atlas, porém, ressalta que a tendência deve ser analisada com cautela. Isso ocorre devido ao aumento das mortes violentas por causa indeterminada, categoria que pode ocultar homicídios não classificados oficialmente. Conforme estimativa dos pesquisadores, o país pode ter registrado até 49.673 homicídios em 2024, o que reduziria a queda em relação a 2023 para 0,4%.
No recorte de longo prazo, entre 2014 e 2024, a taxa nacional de homicídios caiu 33,4%, enquanto o total de mortes recuou 29,6%. Entre 2019 e 2024, a redução foi de 8,6% na taxa e 6,4% no número absoluto de vítimas.
Segundo o relatório, a redução recente foi “ampla, mas não homogênea”. A violência letal permanece concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste, enquanto Sul, Sudeste e o Distrito Federal apresentam os menores índices do país.
Em 2024, 18 unidades da federação registraram taxas de homicídio acima da média nacional (20,1 por 100 mil habitantes). As maiores taxas foram observadas em:
• Amapá (45,7);
• Bahia (40,9);
• Pernambuco (37,3);
• Alagoas (35,9);
• Ceará (34,3).
Na outra ponta, os menores índices foram registrados em:
• São Paulo (6,6);
• Santa Catarina (8,1);
• Distrito Federal (10,3);
• Minas Gerais (12,8);
• Rio Grande do Sul (15,2).
Na comparação entre 2023 e 2024, apenas Maranhão (alta de 7,6%) e Ceará (alta de 5,2%) apresentaram crescimento relevante. São Paulo manteve estabilidade.
As maiores quedas foram registradas em:
• Amapá (-30%);
• Tocantins (-26,7%);
• Sergipe (-24,8%);
• Roraima (-22,8%);
• Acre (-20,5%).
Em números absolutos, as maiores reduções ocorreram no Rio de Janeiro (772 casos a menos), Bahia (555 a menos), Rio Grande do Sul (280 a menos), Goiás (229 a menos) e Amazonas (229 a menos).




