O prefeito socialista de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou nesta terça-feira (21) que a polícia da cidade não possui autoridade jurídica para cumprir o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Durante a campanha eleitoral, Mamdani havia prometido prender Netanyahu caso ele visitasse Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em setembro. No último sábado (18), o prefeito declarou ao jornal The New York Times que sua equipe analisava formas de executar a ordem judicial. Agora, porém, afirmou que a legislação vigente não permite essa medida.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Mamdani classificou Netanyahu como “criminoso de guerra” e o responsabilizou por crimes contra a humanidade e pelo conflito na Faixa de Gaza. Segundo ele, embora concorde com o mandado expedido pelo TPI, a cidade de Nova York não possui competência legal para executá-lo de forma independente.
O prefeito defendeu que o governo do presidente Donald Trump cumpra a ordem do tribunal e detenha o premiê israelense. “O governo federal tem essa autoridade, e eu o insto a se juntar ao TPI e a executar o mandado”, afirmou. Mamdani também declarou que Netanyahu “não é bem-vindo em Nova York”, sem detalhar quais medidas pretende adotar durante uma eventual visita do líder israelense à maior cidade dos Estados Unidos.
A mudança de posição ocorreu após uma análise jurídica realizada pela administração municipal. Tradicionalmente, chefes de Estado e de governo que participam da Assembleia Geral da ONU recebem escolta da polícia de Nova York durante seus deslocamentos pela cidade.
Mamdani ganhou projeção nacional no ano passado ao vencer as prévias do Partido Democrata contra o ex-governador de Nova York Andrew Cuomo e assumir a prefeitura da maior cidade dos Estados Unidos. Desde então, ampliou sua influência dentro da legenda ao apoiar candidatos da ala progressista e estreitar relações com lideranças como a governadora do estado, Kathy Hochul, e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, integrante da ala mais à esquerda do Partido Democrata.
Os Estados Unidos não integram o Tribunal Penal Internacional e, historicamente, contestam sua jurisdição sobre cidadãos americanos e aliados. Em fevereiro do ano passado, o governo Trump impôs sanções a integrantes do tribunal após a emissão do mandado contra Benjamin Netanyahu. No último dia 13, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou uma ofensiva diplomática para enfraquecer o TPI, classificando a corte como uma ameaça à soberania dos Estados Unidos.




