Keiko Fujimori abre vantagem irreversível e deve vencer no Peru

Em uma eleição acirrada e apertada, a direita deve vencer no Peru.


A candidata da direita à Presidência do Peru, Keiko Fujimori, alcançou uma vantagem considerada irreversível na apuração do segundo turno das eleições presidenciais, segundo a contagem oficial. Com isso, a expectativa é de que ela seja confirmada como a nova presidente do país.

Fujimori disputou o segundo turno com o candidato de esquerda Roberto Sánchez, em uma eleição realizada no início de junho e marcada por forte polarização política. A apuração dos votos, que ocorre de forma gradual e pode levar mais de um mês para ser concluída, chegou a registrar uma diferença mínima entre os dois candidatos, em torno de 0,1 ponto percentual.

Na noite de terça-feira (23), no entanto, Fujimori ampliou sua vantagem a ponto de superar o número de votos restantes a serem contabilizados, consolidando sua liderança. Até a última atualização da contagem, na manhã desta quarta-feira (24), ela somava 9.206.241 votos, contra 9.162.855 de Sánchez, uma diferença de 43.386 votos. Restavam cerca de 40 mil votos a serem apurados, o que, mesmo em um cenário de vitória total do adversário nos votos pendentes, não seria suficiente para reverter o resultado.

A imprensa peruana indica que Fujimori deve ser declarada vencedora ainda nesta quarta-feira, embora o candidato derrotado não reconheça o resultado e tenha anunciado a intenção de contestá-lo.

O Peru vive um cenário de instabilidade política recorrente. Nos últimos anos, o país passou por sucessivas trocas de governo, com presidentes que permaneceram pouco tempo no cargo em meio a crises institucionais, denúncias e processos de destituição no Congresso peruano.

Após o avanço da apuração, Sánchez alegou irregularidades no processo eleitoral e afirmou que solicitará recontagem dos votos, além de convocar mobilizações de seus apoiadores. Ele também questiona a atuação do órgão eleitoral e a contagem dos votos de peruanos residentes no exterior.

As autoridades eleitorais seguem analisando as cédulas contestadas do segundo turno. Enquanto isso, recursos apresentados pela campanha de Sánchez foram avaliados por especialistas como de baixa consistência jurídica e sem impacto imediato na tendência da apuração.