Candidata de direita volta a liderar corrida à presidência no Peru

A diferença entre os dois candidatos é de apenas 651 votos.


Após três dias de apuração, a candidata conservadora lidera a disputa presidencial no Peru com 50,002% dos votos, contra 49,998% do deputado de esquerda, Roberto Sánchez. A diferença entre os dois, divulgada na manhã desta quinta-feira (11), é de apenas 651 votos.

A virada de Keiko Fujimori ocorreu devido ao seu desempenho entre eleitores peruanos no exterior, onde obteve 63,42% dos votos, contra 36,57% de Sánchez. No Peru, 98,32% das urnas já foram apuradas.

Os primeiros resultados oficiais foram divulgados por volta das 22h do domingo (7) pelo órgão eleitoral peruano. Inicialmente, Keiko Fujimori abriu uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre Roberto Sánchez. Ao longo da apuração, a diferença foi diminuindo e, por volta das 7h de segunda-feira (8), a candidata tinha menos de um ponto percentual de vantagem.

A autoridade eleitoral informou que a divulgação do resultado final pode levar dias, devido ao sistema de votação com cédulas de papel. O Peru tem 27,33 milhões de eleitores aptos a votar.

Keiko Fujimori concorre pelo partido Força Popular, legenda que fundou em 2008 para liderar a corrente fujimorista. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, disputa a presidência pela quarta vez, após derrotas no segundo turno em 2011, 2016 e 2021. No primeiro turno de 2026, obteve 17,2% dos votos válidos.

Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, chegou ao segundo turno após receber 12% dos votos no primeiro turno. Sua base de apoio concentra-se principalmente em áreas rurais e regiões afastadas dos centros urbanos.

As eleições de 2026 registraram 35 candidatos no primeiro turno. O processo ocorre em um contexto de instabilidade política, no qual o Peru teve nove presidentes em dez anos, apesar de mandatos constitucionais de cinco anos. Pesquisas indicam que 90% dos peruanos têm pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional. Além disso, apenas 10% afirmam estar satisfeitos com a democracia no país, cenário descrito por especialistas como de “desconfiança crônica”.