EUA confirmam oficialmente a chegada do fenômeno El Niño

Em maio, a NOAA estimava em 82% a chance de formação do El Niño.


A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) confirmou nesta quinta-feira (11) o estabelecimento do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

“As condições do El Niño estão presentes, e espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte”, afirmou a agência climática norte-americana.

A confirmação era amplamente aguardada por especialistas, após meses de aquecimento gradual no Pacífico e sucessivas projeções indicando elevada probabilidade de desenvolvimento do fenômeno ainda no primeiro semestre de 2026.

Em maio, a NOAA estimava em 82% a chance de formação do El Niño nos meses seguintes. Com a confirmação oficial, a atenção dos meteorologistas passa a se concentrar na intensidade do evento. De acordo com o boletim divulgado nesta quinta-feira, há 63% de probabilidade de que o fenômeno atinja a categoria de muito forte, podendo figurar entre os eventos mais intensos registrados desde 1950.

O El Niño e a La Niña constituem as duas fases do fenômeno climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é definido pelo aquecimento de, no mínimo, 0,5 °C das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno ocorre, em média, a cada dois a sete anos, tem duração aproximada de doze meses e contribui para a elevação da temperatura média global.

A La Niña representa a fase oposta, caracterizada pelo resfriamento dessas mesmas águas, produzindo efeitos climáticos significativos em sentido contrário.

No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, o El Niño favorece o aumento das chuvas na Região Sul, elevando o risco de temporais, enchentes e cheias de rios.

Nas regiões Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno costuma reduzir os volumes de precipitação, podendo intensificar períodos de estiagem e seca.

Já no Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos tendem a ser mais irregulares, com maior frequência de calor, distribuição desigual das chuvas e alterações no comportamento das frentes frias.