O influenciador e historiador Jones Manoel, um dos principais nomes da esquerda radical nas redes sociais brasileiras, anunciou sua saída do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e sua filiação ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pelo qual pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado de Pernambuco nas eleições de 2026.
A ruptura com o PCBR ocorreu em meio a divergências sobre o controle do Farol Brasil, canal na plataforma de vídeos norte-americana YouTube criado por Jones e considerado sua principal fonte de renda. Segundo o influenciador, dirigentes da legenda defendiam que a plataforma fosse incorporada à estrutura partidária, seguindo a tradição de centralização dos meios de comunicação vinculados à organização.
Jones argumentou que o canal opera como uma estrutura profissional, com equipe, custos permanentes e investimentos necessários para manter suas atividades. De acordo com ele, eventuais prejuízos financeiros são cobertos com recursos próprios, o que afeta diretamente o sustento de familiares que dependem de sua ajuda financeira.
“Como todos os camaradas sabem, sou o pilar financeiro da minha família”, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais.
O influenciador relatou que questionou a direção do partido sobre quem assumiria os custos operacionais do canal, os salários dos funcionários e a manutenção de sua renda caso a incorporação fosse concretizada. Segundo ele, não houve respostas objetivas.
“Várias coisas básicas foram ignoradas e nunca respondidas. Eu perguntava sobre a situação financeira dos trabalhadores do canal que seriam demitidos, mas nunca vinha uma resposta direta. Era tratada como uma ‘não questão’”, declarou.
Jones também afirmou que o partido enfrentava dificuldades para manter suas próprias atividades de comunicação.
“O partido tinha condições de acompanhar diariamente a produção jornalística do Farol Brasil? Aparentemente não, porque nem do jornal do próprio partido eles conseguem dar conta, quanto mais dessa tarefa”, disse.
Em nota oficial, o Comitê Central do PCBR afirmou que a discussão envolvia princípios políticos e organizativos, e não apenas questões financeiras. A direção informou que propôs uma transição gradual, incluindo a “incorporação gradativa mediante profissionalização do camarada Jones”, além da participação do Conselho Nacional de Finanças na análise das contas do canal.
Outro fator que contribuiu para o rompimento foi a estratégia eleitoral. Como o PCBR ainda não possui registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seus integrantes precisam se filiar a outras legendas de esquerda para disputar eleições. Jones optou pelo PSOL, partido que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo setores da esquerda radical brasileira, Lula é caracterizado como um político de centro-esquerda ou de centro, posição que, na visão desses grupos, não corresponde às expectativas do campo mais radical da esquerda.
Para a própria direção do PCBR, entretanto, esse alinhamento político com Lula é incompatível com as posições da organização.
Sem acordo, Jones Manoel deixou o partido que ajudou a fundar em 2024, encerrando uma trajetória marcada por divergências sobre organização partidária, comunicação política e estratégia eleitoral.




