Polícia faz buscas na sede do partido de Pedro Sánchez, na Espanha

A investigação ocorre em meio a uma série de escândalos na Espanha.


A polícia da Espanha realizou buscas, nesta quarta-feira (27), na sede do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), em Madri, e apreendeu documentos como parte de uma investigação sobre supostos casos de corrupção envolvendo integrantes da legenda governista.

A investigação ocorre em meio a uma série de escândalos que atingem o partido do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. O líder do Partido Popular (PP), principal legenda da oposição, afirmou que o governo no poder “cheira” a corrupção e voltou a defender a convocação de eleições antecipadas.

Na semana passada, o ex-primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero foi indiciado por suposto tráfico de influência. Além dele, outras figuras ligadas ao entorno político de Sánchez, incluindo a esposa e o irmão do premiê, também enfrentam acusações. Todos negam irregularidades.

A operação de busca e apreensão realizada na sede do PSOE integra uma investigação sobre alegações de que Leire Díez, apontada como agente ligada ao partido, teria recebido pagamentos para conduzir uma campanha de desinformação destinada a obstruir processos judiciais envolvendo a legenda. Ela também negou qualquer irregularidade.

Mandados de busca também foram cumpridos nas residências de integrantes importantes do partido e de um empresário de destaque no país.

Pedro Sánchez completará oito anos no poder na próxima semana e atualmente lidera uma coalizão minoritária considerada instável. O governo foi formado após o Partido Popular, de centro-direita, vencer as eleições de 2023, mas não conseguir reunir apoio suficiente para governar.

Após as novas diligências, o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, pediu aos aliados do PSOE que deixem de apoiar um governo que “cheira mal”.

“Quantas batidas policiais mais, quantas comissões mais, quantos subornos mais, quanto dinheiro mais em sacos?”, questionou.

Sánchez estava em visita ao papa Leão XIV, no Vaticano, quando a operação na sede do partido veio a público. O primeiro-ministro declarou a jornalistas que cumprirá seu mandato de quatro anos e descartou a possibilidade de eleições antecipadas.

Um dos nomes centrais da investigação é Santos Cerdán, ex-secretário do PSOE e ex-aliado próximo de Sánchez. Ele já havia negado irregularidades em outro caso, no qual foi acusado de atuar em conluio com antigos dirigentes do partido para favorecer contratos públicos em troca de subornos. Embora tenha renunciado ao cargo no ano passado, mantém sua alegação de inocência.

Zapatero foi intimado a depor em tribunal no próximo mês. Ele é investigado sob suspeita de usar influência política para ajudar a garantir um resgate financeiro à companhia aérea Plus Ultra, em 2021, e de ter obtido eventual benefício financeiro decorrente da operação. O ex-primeiro-ministro nega qualquer irregularidade.

Entre os investigados também está o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, acusado de receber comissões ilegais na venda de máscaras durante a pandemia de Covid-19.

No âmbito familiar, o irmão de Sánchez, David Sánchez, será julgado na quinta-feira (28) por suposto tráfico de influência, acusação que nega. Já sua esposa, Begoña Gómez, responde a acusações de peculato, tráfico de influência, corrupção em negócios e apropriação indébita de fundos, todas rejeitadas por ela. Sánchez classificou as investigações como uma “conspiração da direita” para enfraquecer sua coalizão.