EUA anunciam missões, rovers e drones para base no sul da Lua

A fase inicial da base lunar seguirá até 2029, com 25 missões.


Em sua primeira atualização após o anúncio dos planos para a construção de uma base lunar, a NASA apresentou novos detalhes sobre o programa e promoveu uma reorganização da nomenclatura de missões já contratadas. A agência espacial norte-americana informou que os trabalhos de desenvolvimento de um posto avançado na região do polo sul da Lua já estão em andamento.

Durante coletiva realizada na terça-feira (26), em Washington, o administrador da agência, Jared Isaacman, destacou que as próximas missões robóticas à Lua, originalmente vinculadas a contratos do programa CLPS (Serviços Comerciais de Carga Lunar), passarão a integrar a marca do novo projeto de base lunar.

A primeira missão rebatizada será a Moon Base 1, conduzida pelo módulo Blue Moon Mark 1, da companhia Blue Origin. A espaçonave encontra-se em fase final de preparação e tem lançamento previsto para a primavera no hemisfério Norte. Será a primeira tentativa da empresa de Jeff Bezos de realizar um pouso na superfície lunar.

Segundo a agência, a missão é considerada relevante para futuras operações tripuladas, uma vez que a Blue Origin está entre as empresas contratadas para fornecer módulos de pouso, ao lado da SpaceX, de Elon Musk. O Blue Moon Mark 2 deriva tecnologicamente do Mark 1, o que torna o sucesso da missão um passo importante para futuras alunissagens tripuladas.

As missões Moon Base 2 e Moon Base 3 também foram rebatizadas e já se encontram em estágio avançado de preparação. Elas envolvem módulos da Astrobotic, que já tentou um pouso lunar anteriormente sem sucesso imediato após o lançamento, e da Intuitive Machines, que realizou duas tentativas com pousos parcialmente bem-sucedidos. Ambas as missões devem ocorrer até o fim do ano.

O anúncio também destacou a contratação de empresas responsáveis pelo desenvolvimento de rovers lunares destinados ao uso por astronautas. A responsabilidade pelo transporte recairá novamente sobre a Blue Origin, utilizando o Blue Moon Mark 1. Os veículos serão fornecidos pela Astrolab e pela Lunar Outpost, com participação da montadora General Motors como subcontratada em um dos projetos.

Os LTVs (Veículos de Terreno Lunar) terão capacidade para transportar dois astronautas, velocidade de até 10 km/h e alcance estimado de até 200 km, superando significativamente os rovers utilizados no programa Apollo. Os veículos também poderão ser operados remotamente, em modo robótico.

Outro destaque do programa é o desenvolvimento do Moonfall, um veículo aéreo de pequeno porte projetado para deslocamentos curtos e reconhecimento da superfície lunar. O projeto é conduzido pelo NASA Jet Propulsion Laboratory. A empresa Firefly Aerospace será responsável por levar o equipamento à superfície lunar.

Segundo a agência, a fase inicial do programa da base lunar seguirá até 2029 e incluirá cerca de 25 missões, sendo 21 pousos na superfície lunar. O programa CLPS continuará em operação, com novos contratos previstos, além de uma futura fase ampliada de propostas.

Questionado sobre preocupações relacionadas à delimitação de áreas de operação na Lua, Isaacman afirmou: “Estamos operando muito cientes do Tratado do Espaço”. Ele acrescentou: “Queremos chegar lá e explorar. Mas esse é um objetivo de muitos para essas espaçonaves. Vamos fazer reconhecimento.”