A agência espacial dos Estados Unidos, a NASA, passou a tratar de forma concreta a construção de uma base permanente na Lua, incorporando a presença contínua dos Estados Unidos no satélite natural da Terra ao seu planejamento estratégico para a próxima década, com metas e cronogramas definidos.
O administrador da agência, Jared Isaacman, que assumiu o cargo em dezembro de 2025, classificou a iniciativa como um passo decisivo para estabelecer o primeiro ponto de apoio da civilização humana fora da Terra. Em discurso de abertura, na terça-feira (24), diante de representantes do setor aeroespacial, autoridades internacionais e membros do Congresso norte-americano, ele destacou o caráter estruturante do projeto.
“Haverá um caminho evolutivo para a construção do primeiro posto avançado permanente da humanidade além da Terra”, afirmou Isaacman.
Segundo ele, o programa também tem potencial para inspirar novas gerações de norte-americanos, a exemplo do impacto provocado pelas missões Apollo no século passado. “Este é o momento em que todos devemos começar a acreditar novamente, quando as ideias se transformam em missões e quando o trabalho árduo gera conquistas que mudam o mundo”, disse. “A NASA já mudou tudo, e nós vamos fazer isso de novo.”
“O objetivo não é apenas chegar à Lua, mas permanecer. Os Estados Unidos nunca mais abrirão mão da Lua”, afirmou Isaacman na rede social X.
Empresário bilionário, Isaacman já participou de duas missões privadas em órbita baixa da Terra. À frente da NASA, tem anunciado uma agenda considerada ambiciosa, com apoio relevante de empresas do setor e de lideranças políticas em Washington. Sua gestão ocorre em meio a um processo de reestruturação interna, com redução de pessoal decorrente de medidas do governo federal.
Dirigentes da agência afirmaram que os objetivos traçados se aproximam do “quase impossível”. Entre as metas adicionais, está o desenvolvimento de uma espaçonave com propulsão nuclear para missões dos Estados Unidos a Marte até o fim de 2028.
Isaacman também destacou a crescente competição internacional, especialmente com a China, que classificou como “um verdadeiro rival geopolítico, desafiando a liderança americana na corrida espacial”. Pequim prevê realizar um pouso tripulado na Lua até 2030, enquanto o programa Artemis, da NASA, projeta levar astronautas norte-americanos de volta à superfície lunar em 2028.
Os planos atualizados são apresentados às vésperas da missão Artemis II, que deve levar astronautas a orbitar a Lua e retornar à Terra, marcando o primeiro voo tripulado do tipo desde 1972, no encerramento do programa Apollo.
Recentemente, a NASA anunciou ajustes no cronograma do programa Artemis. A missão Artemis III, inicialmente prevista para realizar um pouso lunar em 2028, foi redirecionada para permanecer em órbita terrestre, com foco em testes de acoplamento da cápsula Orion a módulos de pouso desenvolvidos por empresas privadas. Caso seja bem-sucedida, a estratégia poderá viabilizar tentativas de pouso nas missões Artemis IV e V, ainda dentro da mesma janela temporal.




