Jornal americano “WSJ” compara PCC à máfia italiana

O WSJ descreve o surgimento do PCC no sistema prisional brasileiro, em 1993.


O jornal norte-americano The Wall Street Journal (WSJ) publicou, na segunda-feira (20), uma reportagem sobre a facção brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC), detalhando sua origem, expansão no Brasil e crescente influência no tráfico global de cocaína. A publicação também destaca prisões de indivíduos ligados ao grupo nos Estados Unidos e suas conexões com o contrabando de drogas para a Europa.

Com o título “Como uma gangue de prisão brasileira se tornou uma potência global no tráfico de cocaína”, o WSJ descreve o surgimento do PCC no sistema prisional brasileiro, em 1993, e sua consolidação ao longo das décadas. Segundo o jornal, a organização passou a operar com uma estrutura comparável à de uma empresa, sendo caracterizada como uma “multinacional do crime”.

“Diferentemente dos narcotraficantes mexicanos, das milícias colombianas fortemente armadas ou dos grandes chefes do Comando Vermelho carioca, os membros do PCC têm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, e não fama — fugindo da violência gratuita que atrai a polícia e a televisão”, aponta a publicação.

A reportagem também descreve a organização interna da facção, estruturada em departamentos voltados para áreas como expansão territorial, operações internacionais e finanças. O texto menciona, ainda, a infiltração do grupo em setores legais, como combustíveis, pesca e hotelaria, utilizados para lavagem de dinheiro.

De acordo com o WSJ, o PCC já atua em cerca de 30 países. Autoridades norte-americanas identificaram integrantes da organização em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. No entanto, a Europa é apontada como o principal mercado da facção.

O jornal relata que o PCC estabeleceu parcerias com a máfia italiana para ampliar a distribuição de cocaína no continente europeu. Nesse arranjo, a facção brasileira fornece a droga, que é revendida por valores até dez vezes superiores aos praticados na fronteira com a Bolívia. A rota para a Europa inclui países africanos, como Guiné-Bissau e Cabo Verde, utilizados como entrepostos logísticos. Portugal é citado pelo WSJ como um dos principais pontos de entrada, onde o grupo mantém operações estruturadas de logística e lavagem de dinheiro.