O funcionário do governo dos Estados Unidos que atuava no Brasil deixou o país após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) adotar medidas de reciprocidade em resposta a decisões do governo norte-americano.
O servidor, identificado como Michel Myers, trabalhava junto à Polícia Federal (PF) no intercâmbio de informações desde 2024, no âmbito de um acordo de cooperação entre os dois países. Segundo fontes do governo dos Estados Unidos, ele deixou o Brasil na quarta-feira (22).
O The São Paulo News aguarda posicionamento das autoridades norte-americanas para mais informações.
O princípio da reciprocidade estabelece que um Estado tende a tratar outro da mesma forma como é tratado nas relações internacionais, evitando benefícios unilaterais.
A medida foi adotada após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo norte-americano informar que o governo de Donald Trump determinou a saída de um delegado brasileiro, Marcelo Ivo de Carvalho, que atuou no caso da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), preso na última segunda-feira (13) e solto na quarta-feira (15).
Um segundo cidadão norte-americano também foi alvo de medidas. Ele teve o acesso à Polícia Federal suspenso, mas, por ora, não deixará o Brasil e, por isso, não teve a identidade divulgada.
A informação foi publicada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. “Um teve temporariamente o acesso à PF cortado por mim. Outro teve o visto cancelado e teve determinado seu retorno aos Estados Unidos pelo MRE”, explicou Rodrigues.
A saída de Myers ocorreu após a retirada de suas credenciais para atuar em território brasileiro. O diretor da PF esclareceu: “O colega teve as credenciais cassadas e seria instado a deixar o país pelo MRE, mas retornou antes por decisão minha”.
Segundo Rodrigues, a iniciativa foi adotada de forma verbal, seguindo procedimento semelhante ao utilizado por autoridades dos Estados Unidos, em um gesto de reciprocidade.




