O Exército dos Estados Unidos tentou interceptar um petroleiro de bandeira russa que teria desafiado o bloqueio americano às exportações de energia da Venezuela, informou a mídia estatal russa nesta quarta-feira (7). O episódio tem potencial para agravar significativamente as tensões entre Washington e Moscou após a destituição do aliado russo, o então ditador venezuelano Nicolás Maduro. Um oficial americano confirmou ao jornal The New York Times (NYT) que uma operação militar dos EUA estava em andamento.
Segundo esse oficial, a Guarda Costeira dos Estados Unidos conseguiu abordar o petroleiro após uma perseguição que durou aproximadamente duas semanas. De acordo com o relato, não houve resistência nem hostilidade por parte da tripulação durante a abordagem.
A emissora estatal russa RT divulgou imagens que mostram um helicóptero se aproximando do petroleiro de bandeira russa, que vinha sendo perseguido pela Guarda Costeira dos EUA, e afirmou que as forças americanas pareciam tentar realizar o embarque.
A embarcação — conhecida até recentemente como Bella 1 e atualmente chamada Marinera — está registrada como navio russo. Ainda segundo um oficial americano informado sobre a operação, a Rússia enviou pelo menos um navio de guerra para interceptar o petroleiro e escoltá-lo, informou o NYT. As autoridades dos Estados Unidos acompanham o navio há semanas, desde que ele tentou burlar um bloqueio parcial em torno da Venezuela, enquanto Moscou passou a adotar medidas cada vez mais visíveis para protegê-lo.
Dados de rastreamento do site MarineTraffic indicam que o petroleiro navegava pelo Oceano Atlântico entre a Islândia e a Grã-Bretanha, com o transponder de localização ativado. O destino final era incerto, mas a embarcação poderia seguir para o Mar Báltico ou contornar a Escandinávia rumo a Murmansk, porto russo no Ártico que permanece livre de gelo.
Desde a captura de Maduro pelas forças americanas na madrugada de sábado (3), o governo Trump intensificou a pressão sobre a Venezuela em relação às exportações de energia. Na noite de terça-feira (6), o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a Venezuela começaria a exportar petróleo para os Estados Unidos, o que representaria uma concessão significativa por parte dos novos líderes venezuelanos. O governo da Venezuela não comentou o anúncio de Trump de que entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo estariam envolvidos.
A China, uma das principais compradoras de petróleo venezuelano, criticou duramente a declaração do presidente americano. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, classificou as exigências dos EUA como “um ato clássico de intimidação”.
Sites de rastreamento de voos indicaram que várias aeronaves militares americanas decolaram de bases na Grã-Bretanha nesta manhã, seguindo em direção ao noroeste, na direção do petroleiro. Dados de navegação também mostram que a embarcação realizou uma curva acentuada à direita no Atlântico Norte nas primeiras horas do dia.
A Rússia não comentou oficialmente a operação americana. Em comunicado divulgado na terça-feira pela agência estatal Tass, o Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que o navio operava em total conformidade com o direito marítimo internacional e que estava recebendo atenção excessiva dos Estados Unidos e da OTAN, uma atenção considerada “desproporcional ao seu status pacífico”.




