EUA impõem sanções à família de Maduro e ao petróleo da Venezuela

O Tesouro dos EUA incluiu mais seis navios petroleiros na lista de sanções.


Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (11) novas sanções contra três familiares do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e seis empresas ligadas ao transporte de petróleo do país sul-americano, em uma escalada adicional da tensão diplomática entre Washington e Caracas.

O governo americano informou ainda que escoltará até um porto dos Estados Unidos o navio petroleiro apreendido por forças norte-americanas na costa venezuelana, medida que ampliou os temores de um possível conflito aberto entre os dois países. A embarcação, carregada com petróleo venezuelano, foi apreendida na quarta-feira (10), em uma operação na qual militares dos EUA desceram de helicópteros até o navio.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou simultaneamente sanções contra três sobrinhos de Cilia Flores, esposa de Maduro, afirmando que dois deles são “traficantes de drogas que atuam na Venezuela”.

“Nicolás Maduro e seus parceiros criminosos na Venezuela estão inundando os Estados Unidos com drogas que envenenam o povo americano”, declarou o secretário do Tesouro do governo Trump, Scott Bessent, em comunicado oficial.

Além das seis empresas, o Tesouro americano também incluiu outros seis navios petroleiros na lista de sanções. Na quinta-feira, Maduro classificou a apreensão da embarcação como um ato de “pirataria naval criminosa”.

“Sequestraram os tripulantes, roubaram o barco e inauguraram uma nova era, a era da pirataria naval criminosa no Caribe”, afirmou o ditador durante um ato oficial em Caracas.

Horas antes, Maduro conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que reiterou apoio ao regime venezuelano. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se “preocupado” com a apreensão do navio, que já estava sob sanções havia anos por transportar petróleo de países como Venezuela e Irã.

De Oslo, onde esteve na quinta-feira para receber o Prêmio Nobel da Paz, a líder opositora venezuelana María Corina Machado manifestou apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à sua campanha contra Maduro.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que a tripulação do navio está sendo interrogada e que a embarcação será conduzida a um porto americano. O petroleiro, que anteriormente operava sob o nome Adisa, havia sido identificado pelo Tesouro norte-americano em 2022 por supostos vínculos com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e com o Hezbollah.

No momento da abordagem, o navio transportava 1,1 milhão de barris de petróleo, segundo o site MarineTraffic. Maduro, por sua vez, afirmou que a carga era de 1,9 milhão de barris. A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, classificou a apreensão como um golpe ao “regime socialista de Caracas”.

“Foi uma operação bem-sucedida […] para garantir que estamos contra-atacando um regime que sistematicamente enche o nosso país de drogas mortais”, disse Noem durante audiência no Congresso dos EUA.

Diferentemente de operações anteriores em alto-mar contra embarcações ligadas ao narcotráfico, esta ação contou com uma ordem formal de confisco, sob responsabilidade do FBI, a Polícia Federal dos Estados Unidos.