Caça da OTAN abate drone na Estônia e causa pânico no país

A Estônia identificou o drone como ucraniano, mas culpou Moscou.


A Ucrânia acusou a Rússia, na manhã desta terça-feira (19), de redirecionar um de seus drones para o espaço aéreo da Estônia, onde a aeronave não tripulada foi abatida por um caça da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O episódio é o mais recente incidente transfronteiriço envolvendo drones militares a provocar tensão política nos países bálticos.

Na Letônia, o governo emitiu um primeiro alerta de ameaça aérea após a suspeita de que drones pudessem entrar no espaço aéreo do país. O aviso foi direcionado aos moradores de áreas próximas à fronteira com a Rússia, que foram orientados a permanecer em casa, enquanto caças da missão de Polícia Aérea do Báltico da OTAN eram mobilizados. Mais tarde, autoridades letãs informaram não haver evidências de incursão aérea.

Pouco depois, um segundo alerta foi emitido em dois condados fronteiriços com a Rússia, levando a um novo destacamento de aeronaves da aliança militar. O episódio gerou momentos de apreensão e caos na região, com a suspensão de trens, o cancelamento de exames nacionais para estudantes do nono ano e o fechamento temporário de supermercados, segundo a imprensa local.

“A Rússia continua a redirecionar drones ucranianos para os países bálticos utilizando sua guerra eletrônica”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Heorhii Tykhyi, no X. “Pedimos desculpas à Estônia e a todos os nossos amigos bálticos por esses incidentes não intencionais.”

O porta-voz também afirmou que Kiev não utiliza o território da Letônia ou da Estônia para lançar ataques contra a Rússia, declaração corroborada pelos governos bálticos. “Nossos alvos militares legítimos estão localizados na Rússia, e usamos o espaço aéreo russo para alcançá-los”, declarou.

Desde março, drones militares ucranianos já invadiram o espaço aéreo de países-membros da OTAN, como Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia, todos vizinhos da Rússia. Na semana passada, o governo letão renunciou em meio a críticas sobre a condução de incidentes semelhantes.

Na Estônia, segundo o Exército do país, o drone entrou no espaço aéreo nacional por volta do meio-dia (horário local) desta terça-feira, vindo da Rússia e alcançando a região sudeste do país. A aeronave foi abatida às 12h14 (horário local) por um caça romeno da OTAN durante um voo de treinamento, com o disparo de um único míssil.

“O incidente ocorreu em um contexto de intensa guerra eletrônica, incluindo falsificação e interferência de GPS por parte da Rússia”, informou o Exército estoniano.

As autoridades afirmaram que o drone já estava sendo monitorado antes de cruzar a fronteira e que a decisão de abatê-lo foi tomada para “minimizar o impacto sobre a população civil e a infraestrutura”.

A OTAN confirmou o abate e informou que uma investigação está em andamento, reiterando que a aliança “está pronta e apta a reagir a quaisquer potenciais ameaças aéreas”. A Estônia identificou o drone como ucraniano, mas tanto Tallinn quanto Riga responsabilizaram Moscou pelo episódio.