Amiga de filho de Lula depõe à PF sobre fraudes no INSS

Os investigadores buscam esclarecer a relação dela com Lulinha.


A empresária Roberta Luchsinger presta depoimento à PF (Polícia Federal) nesta quarta-feira (20), no âmbito das investigações sobre fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O interrogatório será realizado por videoconferência. Os investigadores buscam esclarecer a relação de Roberta com Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em ocasiões anteriores, a defesa de Lulinha informou à emissora CNN Brasil que ele está à disposição para prestar esclarecimentos e eventuais depoimentos, além de negar qualquer participação em irregularidades.

Roberta trabalhou para Antunes. Em relatório, a PF apontou indícios de que ela teria atuado como intermediária entre o empresário e Lulinha, apontado nas investigações como suposto sócio oculto do “Careca do INSS” no esquema de fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em contracheques de aposentados e pensionistas.

A empresária foi alvo de busca e apreensão em uma das fases da Operação Sem Desconto, em dezembro do ano passado, após a PF identificar que ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão de Antunes, apontado como suspeito de liderar o esquema de desvios.

“Esclarecemos que ela havia prestado minuciosos esclarecimentos por escrito e que estava à disposição para fornecer quaisquer esclarecimentos suplementares que fossem necessários”, afirmou o advogado Bruno Salles, em abril deste ano.

O depoimento de Roberta, apontada como próxima de Lulinha, integra uma força-tarefa da PF destinada a colher ao menos 35 depoimentos restantes no caso.

A oitiva ocorre após a mudança na coordenação do inquérito. Inicialmente conduzido pela divisão de crimes previdenciários, o caso passou à coordenação responsável por investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado.

O depoimento também ocorre após a proposta de delação premiada do empresário Mauricio Camisotti, apontado como operador financeiro do esquema de descontos associativos em contracheques de aposentados e pensionistas. A negociação, no entanto, voltou à estaca zero e está sendo refeita pela PF em conjunto com a Procuradoria-Geral da República (PGR).