O general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo de Jair Bolsonaro (PL) e condenado no caso da chamada trama golpista, afirmou durante exame de corpo de delito que convive com diagnóstico de Alzheimer desde 2018. O documento registra que Heleno, de 78 anos, apresenta perda de memória recente, prisão de ventre e hipertensão, sendo tratado com múltiplos medicamentos. Ele foi preso na terça-feira (25) pelo Exército e pela Polícia Federal (PF) e foi encaminhado ao Comando Militar do Planalto, em Brasília.
Segundo o registro médico, o general “refere ser portador de Demência de Alzheimer em evolução desde 2018, com perda de memória recente importante, prisão de ventre e hipertensão, em tratamento medicamentoso (polifarmácia)”. O exame de corpo de delito é um procedimento médico-legal utilizado para verificar as condições físicas da pessoa no momento da prisão, resguardando tanto o custodiado quanto o Estado.
A detenção ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar o trânsito em julgado das ações penais e determinar o início imediato do cumprimento das penas dos integrantes do núcleo crucial da trama golpista. Heleno foi condenado a 21 anos de prisão por integrar, segundo a Suprema Corte, a organização criminosa que buscava manter o então presidente Jair Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota eleitoral.
Em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (26), o senador e ex-vice-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou ter percebido um declínio acentuado na condição de saúde do general ao longo dos últimos anos. Segundo Mourão, “decrepitude física e mental” tornou-se evidente. Ele relatou conhecer Heleno desde 1974 e lembrou que, em 2007, o general enfrentou um problema neurológico após perder força no braço durante uma partida de tênis, quadro que teria permanecido visível em aparições públicas posteriores. Para o senador, o episódio pode estar relacionado ao avanço do Alzheimer.
Mourão afirmou que a doença evolui de forma silenciosa e destacou que “um homem de 78 anos, ninguém chega a essa idade sem sequela, principalmente levando em consideração a vida que a gente tem como militar”. Questionado sobre eventual impacto da condição de saúde no desempenho de Heleno como ministro de Estado durante o governo Bolsonaro, disse não ter convivência diária com ele, esclarecendo que esse contato era mantido diretamente pelo ex-presidente.




