EUA atacam alvos iranianos após ataque do Irã em Ormuz

Os EUA interceptaram drones iranianos que seguiam para Ormuz.


Os Estados Unidos realizaram, neste sábado (6), ataques contra instalações de vigilância costeira do Irã após interceptarem drones iranianos que, segundo militares americanos, seguiam em direção ao Estreito de Ormuz. A ação representa uma nova escalada no conflito entre os dois países e dificulta os esforços diplomáticos para encerrar a guerra, que já dura três meses.

De acordo com um oficial americano ouvido pela agência Reuters, os quatro drones tinham como possível alvo o tráfego marítimo na região. Em resposta, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM, na sigla em inglês) informou ter atingido centros de vigilância iranianos localizados em Goruk e na ilha de Qeshm, ambos situados no Estreito de Ormuz.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a operação americana violou o cessar-fogo firmado em 8 de abril e acusou Washington de não demonstrar intenção de reduzir as tensões. Teerã declarou que os Estados Unidos serão responsabilizados pelas consequências de suas “ações ilegais” e por qualquer escalada futura.

A Guarda Revolucionária iraniana informou ter lançado ataques contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein, em retaliação às ações dos Estados Unidos. Também alegou ter disparado contra quatro petroleiros que tentavam cruzar o estreito sem autorização iraniana.

O Exército do Kuwait informou que interceptou sete mísseis balísticos que entraram em seu espaço aéreo durante a madrugada. Segundo os militares, fragmentos atingiram áreas residenciais, provocando danos materiais, mas sem causar vítimas.

No Bahrein, sirenes de alerta foram acionadas, e a população foi orientada a buscar abrigo.

Kuwait e Bahrein condenaram os ataques. O governo kuwaitiano classificou as ações iranianas como uma agressão que ameaça a segurança regional e a população civil.

Enquanto isso, seguem as negociações indiretas entre Washington e Teerã para um acordo provisório que ponha fim ao conflito iniciado em 28 de fevereiro. Entre as exigências iranianas estão o acesso a bilhões de dólares em receitas petrolíferas, o alívio das sanções econômicas e uma maior influência sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou à emissora NBC que a maior parte das instalações iranianas de produção de drones e mísseis foi destruída, mas reconheceu que o país ainda mantém uma parcela significativa de seu arsenal.

“Eles têm alguns mísseis, têm alguns drones. Eu diria que, em termos percentuais, talvez 21% ou 22% dos mísseis deles. É um número considerável de mísseis, mas não é o que era quando atacamos pela primeira vez”, declarou.

Sobre a resistência iraniana em aceitar um acordo, Trump afirmou: “Porque eles são fortes. Eles são orgulhosos. Há coisas que eles nunca pensaram que fariam, mas terão de fazer. Não têm escolha, e isso leva tempo.”