Trump anuncia que os EUA dobrarão a frota de B-2 com 28 novas unidades

O plano é manter os B-2 operacionais até o B-21 ficar pronto.


Na última segunda-feira (13), o presidente norte-americano Donald Trump informou aos legisladores israelenses que os Estados Unidos planejam dobrar sua frota de bombardeiros stealth B-2 Spirit, adicionando 28 novas aeronaves. Ele afirmou que a decisão ocorreu após a operação de longo alcance contra instalações nucleares iranianas em junho, que descreveu como prova da resistência e do alcance do bombardeiro americano. O Pentágono não confirmou a existência de um novo programa de produção, e analistas acreditam que o número pode representar um trabalho de extensão de vida útil ou atualização digital já em andamento.

Trump afirmou aos parlamentares do Knesset, o parlamento israelense, que os Estados Unidos encomendaram 28 B-2 adicionais, descrevendo a aeronave como uma versão atualizada e caracterizando a aquisição como um todo. Segundo ele, o anúncio ocorreu após a operação de junho contra o Irã, que demonstrou a capacidade da aeronave em missões de longa duração. De acordo com suas observações, os bombardeiros voaram cerca de 37 horas com múltiplos reabastecimentos aéreos, demonstrando resistência e coordenação logística. Registros de aquisição de defesa listam apenas programas de modernização e sustentação.

Analistas destacam que referências a novas aeronaves podem se referir a reformas estruturais, atualizações digitais ou substituições de componentes em iniciativas de extensão de vida útil. O comentário levantou dúvidas sobre se o número indica novas construções, substituição de fuselagens próximas ao fim de sua vida útil ou continuidade de modernizações existentes. O contexto sugere alinhamento aos esforços para manter a frota dos B-2 operacional até que seu substituto, o B-21 Raider, atinja plena capacidade no final da década.

Os ataques de junho ao Irã, denominados Operação Martelo da Meia-Noite, envolveram sete B-2 da 509ª Ala de Bombardeio, voando da Base Aérea de Whiteman, no estado do Missouri, para atingir instalações nucleares iranianas em Fordow, Natanz e Isfahan. Seis bombardeiros lançaram doze bombas “Massive Ordnance Penetrators GBU-57A/B” em Fordow, enquanto o sétimo lançou dois MOP adicionais em Natanz. Um submarino da Marinha dos EUA lançou simultaneamente trinta mísseis de cruzeiro Tomahawk. Caças F-22 e F-35 escoltaram a operação, minimizando a exposição às defesas aéreas iranianas. A missão durou cerca de 37 horas, com múltiplos reabastecimentos em voo. Avaliações pós-ataque indicaram danos severos às estruturas fortificadas, embora o efeito total no programa nuclear iraniano permaneça em debate.

O programa B-2 Spirit remonta ao final da década de 1970, quando a Força Aérea dos EUA iniciou o Advanced Technology Bomber (ATB) para enfrentar defesas aéreas sofisticadas. O contrato de desenvolvimento foi concedido à Northrop (posteriormente Northrop Grumman) em 1981. O primeiro protótipo, AV-1, voou em 17 de julho de 1989, e o B-2 atingiu capacidade operacional inicial em 1997 na Base Aérea de Whiteman.

O B-2 Bloco 30 possui tripulação de dois, quatro motores turbofan F118-GE-100, envergadura de 52,4 metros, altura de 5,1 metros e peso máximo de 170.600 kg. Seu alcance é de 11.000 km sem reabastecimento, teto de serviço de 15.200 metros e velocidade máxima de 1.010 km/h. Pode transportar até 27.000 kg de armamento interno, incluindo JDAMs, MOPs e mísseis JASSM. Missões nucleares continuam como parte de sua capacidade, com integração de bombas B61 e B83 e do futuro míssil LRSO.

O conjunto aviônico inclui radar AN/APQ-181 AESA, Sistema de Gerenciamento Defensivo DMS-M, Link 16, atualizações de processador e armazenamento. Modernizações estruturais e de software visam prolongar a vida útil e melhorar a prontidão operacional. A manutenção ocorre na Base Aérea de Whiteman, garantindo a capacidade da missão. A Força Aérea dos EUA planeja manter a aeronave em operação até pelo menos 2032, quando o B-21 Raider deverá assumir grande parte das missões de longo alcance.

A aeronave também demonstrou capacidade em ataques marítimos, mantendo sua relevância estratégica e operacional para os Estados Unidos.