Os crescentes casos de intoxicação por metanol no Brasil acenderam alerta sanitário e colocaram o governo em uma corrida para assegurar o acesso ao fomepizol, medicamento utilizado como antídoto nesses envenenamentos. O remédio não está disponível no mercado nacional e, diante da urgência, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acionou autoridades reguladoras de diversos países para viabilizar a importação.
Entre os órgãos contatados estão a FDA (Estados Unidos), a EMA (União Europeia) e as agências do Canadá, Reino Unido, Japão, China, Argentina, México, Suíça e Austrália. O objetivo é agilizar os trâmites para trazer o produto ao país e ampliar as opções de tratamento nos hospitais.
O metanol é um álcool utilizado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. O Brasil vem registrando aumento no número de casos de intoxicação por metanol misturado a bebidas alcoólicas adulteradas. De acordo com atualizações do Ministério da Saúde, divulgadas na quinta-feira (2), há 59 casos suspeitos de intoxicação por metanol. O fomepizol é considerado o tratamento de referência, pois age bloqueando a transformação da substância em metabólitos tóxicos, responsáveis por danos graves ao sistema nervoso e ao fígado.
Na ausência do medicamento, os serviços de saúde recorrem a alternativas, como o uso controlado de etanol grau farmacêutico, que pode retardar os efeitos do veneno, mas não apresenta a mesma segurança e eficácia.
Para garantir o fornecimento imediato, a Anvisa também publicou um edital de chamamento internacional em busca de fabricantes e distribuidores com estoque disponível. A medida foi adotada após pedido de urgência do Ministério da Saúde.
Além da busca pelo antídoto, três laboratórios — Lacen/DF, Laboratório Municipal de São Paulo e INCQS/Fiocruz — foram mobilizados para analisar amostras suspeitas de bebidas adulteradas. As fiscalizações em campo já começaram em diferentes estados, em parceria com as vigilâncias sanitárias locais.
Enquanto aguarda a chegada do medicamento, a orientação à população é: em caso de suspeita de intoxicação, ligar para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001), serviço que reúne 13 centros especializados no país. O metanol não deve ser ingerido, pois, diferentemente do etanol presente nas bebidas alcoólicas comuns, é altamente tóxico.
Por não apresentar cheiro, cor ou sabor característicos, o metanol pode ser misturado ilegalmente a bebidas sem que o consumidor perceba. No organismo, transforma-se em substâncias extremamente tóxicas, como o ácido fórmico, causando visão borrada, tontura, dor abdominal, respiração acelerada e, em casos graves, cegueira irreversível, falência de órgãos e morte.
Diante do aumento das ocorrências, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação nacional para coordenar as ações com a Anvisa, vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, além de órgãos como o Ministério da Justiça e o Ministério da Agricultura.




