Moraes cobra explicações sobre atraso na saída de Bolsonaro do hospital

O ex-presidente foi ao Hospital DF Star para exames de rotina.


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), requisitou na segunda-feira (15) esclarecimentos à Polícia Penal do Distrito Federal acerca do atraso na saída do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) do Hospital DF Star, em Brasília, ocorrido no domingo (14).

Segundo registros, logo após deixar o hospital, Bolsonaro permaneceu aproximadamente seis minutos ao lado do veículo, imóvel, enquanto seu médico, Cláudio Birolini, explicava os procedimentos médicos a que o ex-presidente havia sido submetido. Durante esse período, apoiadores entoavam palavras de apoio e realizavam filmagens com celulares. Em seguida, Birolini e Bolsonaro entraram no carro e deixaram o local.

No despacho de segunda, Moraes solicitou detalhes sobre o procedimento adotado pela Polícia Penal. “Oficie-se à Polícia Penal do Distrito Federal para que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, envie aos autos relatório circunstanciado sobre a escolta realizada, com informações do carro que transportou o custodiado, agentes que o acompanharam no quarto e o motivo de não ter sido realizado o transporte imediato logo após a liberação médica”, determina o ministro.

O ex-presidente compareceu ao Hospital DF Star para a realização de exames e procedimentos médicos de rotina, incluindo a retirada de algumas pintas para investigação de possível câncer de pele. Outros exames detectaram quadro de anemia por deficiência de ferro e uma pneumonia já em fase final.

Cláudio Birolini afirmou que Bolsonaro “passou por exames de rotina. Ele é um senhor de 70 anos que passou por diversas intervenções cirúrgicas. Ele está bastante fragilizado por essa situação toda”. Aliados do ex-presidente citam a condição de saúde como argumento para que ele cumpra eventual pena em casa, após condenação por tentativa de golpe de Estado. Os advogados de Bolsonaro planejam alegar riscos caso ele seja enviado a presídio ou à Polícia Federal (PF).

Segundo aliados, o ex-presidente manifesta preocupação com a possibilidade de ser encaminhado a uma cela do Complexo Penitenciário da Papuda, temendo falta de atendimento médico adequado ou possíveis maus-tratos por outros detentos. A saúde de Bolsonaro é, portanto, fator central na estratégia jurídica que busca o cumprimento da pena em regime domiciliar.

Na ocasião, Bolsonaro esteve sob forte escolta policial e foi recepcionado por cerca de 20 apoiadores. Durante a saída, militantes cantaram o hino nacional e entoaram elogios, interrompendo a declaração à imprensa em alguns momentos.

O médico destacou a presença de anemia “provavelmente por ele ter se alimentado mal nesse último mês”, período em que Bolsonaro esteve em prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares do STF. O ex-presidente recebeu reposição de ferro.

Birolini informou ainda que os refluxos melhoraram, a hipertensão está controlada e foram retiradas oito lesões na pele para análise laboratorial. Entre elas, identificou-se um “nevo melanocítico” e uma “neoplasia de comportamento incerto”, que necessitam de investigação. O boletim não prevê prazo para os resultados, mas orienta a continuidade do tratamento da hipertensão, do refluxo e de medidas preventivas contra broncoaspiração.