O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) protocolou, na terça-feira (2), no STF (Supremo Tribunal Federal) uma representação contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pedindo que seja investigada a suposta prática de obstrução de Justiça. O parlamentar afirma que o governador foi a Brasília, na semana do início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para articular com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e outras lideranças do Parlamento a tramitação de um projeto de anistia destinado a beneficiar Bolsonaro e outros réus.
Segundo o documento, a atuação de Tarcísio não seria apenas política, mas uma tentativa de interferir em um processo jurisdicional em andamento, fragilizando a autoridade do Supremo.
A movimentação liderada pelo governador para que a Câmara dos Deputados vote uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro logo após o julgamento no STF intensificou a pressão sobre o presidente da Casa, Hugo Motta.
Até o momento, Motta vinha evitando pautar o tema no plenário. No entanto, a adesão de partidos como PP, União Brasil e Republicanos, que integram a base do governo paulista, tornou praticamente inevitável a apreciação da proposta. O próprio presidente da Câmara admitiu essa possibilidade a outros parlamentares.
Tarcísio está em Brasília nesta semana para articular o movimento que levou as legendas a defenderem a votação. Em troca, aliados do governador esperam reduzir a desconfiança da família Bolsonaro em relação a ele e, consequentemente, garantir o apoio do ex-presidente à sua eventual candidatura ao Palácio do Planalto em 2026.
Em reunião com líderes partidários, Motta reconheceu que já há maioria favorável à apreciação da matéria. Ressaltou, contudo, que, antes de colocá-la em votação, pretende dialogar com o Senado, que também precisa aprovar a proposta, e com o próprio STF. Davi Alcolumbre, presidente do Senado, já comunicou ser contra a anistia a Bolsonaro e afirmou que prepara um texto alternativo.




