Em prisão domiciliar desde 4 de agosto e sob vigilância integral, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu a visita do vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL). O encontro durou cerca de quatro horas e foi marcado por momentos de emoção. Durante a conversa, Bolsonaro relembrou sua trajetória no meio militar até chegar à Presidência da República e, ao mencionar ter 70 anos e estar diante da perspectiva de condenação pelo Supremo Tribunal Federal, desabafou: “Minha vida já acabou”.
Segundo Mello Araújo, a visita teve como objetivo animar o ex-presidente. “Na minha carreira visitei policiais que acabaram presos em ocorrências por troca de tiros e depois foram absolvidos. Eu sei o que é isso, o que a pessoa que está presa passa”, afirmou. O coronel foi indicado por Bolsonaro para compor a chapa do prefeito Ricardo Nunes (MDB) nas eleições municipais de 2024.
“Quando fui visitá-lo, fui para deixá-lo animado. Cheguei, abracei. Sentamos e ficamos das 14h às 18h conversando. Ele começou a contar a história da vida dele: do Exército até a Presidência. E eu jogando ele para cima. Disse que [a prisão domiciliar] é mais uma que ele vai superar, assim como a facada e um acidente em salto de paraquedas. Ele é ousado, não para”, relatou o vice-prefeito.
Mello Araújo destacou que procurou mostrar a Bolsonaro que é preciso “tirar o lado bom da desgraça”. Segundo ele, o ex-presidente deveria aproveitar o momento para cuidar da saúde e refletir sobre os próximos passos. “Ele disse: ‘Estou com 70 anos, a minha vida já acabou’. E se emocionou. Eu disse que não, que ele ainda está no jogo. Eu disse que ele será filme de Hollywood, que vai ter um final feliz. A gente tem essa convicção. Eu disse que Deus vai intervir. Algum fato novo vai mudar tudo isso.”
O coronel relatou ainda que sugeriu a prática de exercícios físicos, o que foi recusado por Bolsonaro. “Eu montei um treino físico para ele se exercitar em casa, na esteira. Ele respondeu que não dava, mas que faria depois.”
Às vésperas de ser julgado por uma suposta tentativa de golpe de Estado, Mello Araújo afirmou que Bolsonaro não tem voltado sua atenção à eleição de 2026. “Ele não está com cabeça em eleição. Por isso, acho sacanagem o pessoal querer o espólio eleitoral dele. Estão enterrando ele vivo. Querem 40 anos nas costas dele. Fui lá para levantar o ânimo dele. Fico indignado de ver tanto bandido sendo solto — traficante, homicida, ladrão — e Bolsonaro preso”, declarou.




