Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentaram, na sexta-feira (22), petição ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticando o relatório da Polícia Federal divulgado na semana passada contra o ex-presidente e seu filho Eduardo. Segundo a defesa, o documento “causa espanto” e “encaixa-se como uma peça política, com o objetivo de desmoralizar um ex-presidente da República”.
De acordo com os advogados, a PF “transcreve e replica diálogos que não têm a menor relação com fatos em apuração”, referindo-se à investigação sobre tentativa de obstrução da Justiça e coação no curso do processo. “Afinal, não parece ter relevância para a investigação o fato de o presidente pretender apoiar o governador Tarcísio ou um de seus filhos como candidato à presidência da República”, destacam. A petição é assinada por Celso Vilardi, Paulo da Cunha Bueno e Daniel Tesser, advogados de Bolsonaro.
O relatório da PF sustenta que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares ao transmitir mensagens, áudios e vídeos a terceiros para uso em redes sociais, além de divulgar diálogos sobre o tarifaço de Donald Trump e pressões sobre o STF. Entre os trechos citados, Eduardo afirma: “Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado vendo você se foder e se aquecendo para 2026”, e reage à crítica do pai sobre sua imaturidade: “VTNC seu ingrato do caralho”.
A defesa contesta ainda a divulgação de transações financeiras do ex-presidente, consideradas suspeitas pela PF, e refuta acusações de que Bolsonaro teria planejado fugir para a Argentina, argumentando que o rascunho de pedido de asilo a Javier Milei, de fevereiro de 2024, não se concretizou.
Segundo os advogados, “com ou sem o rascunho, o ex-presidente não fugiu. Pelo contrário, obedeceu a todas as decisões emanadas pelo STF. Respondeu à denúncia oferecida, compareceu a todas as audiências, sempre respeitando todas as ordens”.




