Imagens de satélite indicam que a Rússia pode estar construindo uma megaestação de escuta na orla do Mar Báltico há pelo menos dois anos. A análise é do projeto investigativo Tochnyi, especializado em pesquisas de código aberto, que afirma “objetivar reportar com precisão” a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Segundo os pesquisadores, a possível instalação está localizada no distrito de Chernyakhovsky, em Kaliningrado, semi-exclave russo entre Polônia e Lituânia, ambos membros da OTAN. A obra teria começado em março de 2023 e encontra-se próxima de uma base aérea russa da Frota do Báltico. O formato identificado é descrito como um conjunto de antenas em círculo, caracterizando um “conjunto de antenas de nível militar projetado para inteligência de rádio ou comunicação”.
Esse tipo de estrutura, conhecido como CDAA, foi amplamente utilizado por Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria, com funções de localização de sinais, vigilância eletrônica e comunicações submarinas. A análise indica que a instalação pode ter até 1.600 metros de diâmetro, acima do tamanho comum dos CDAAs conhecidos.
Os investigadores afirmam que “é difícil tirar uma conclusão definitiva”, mas apontam características que reforçam a hipótese, como “configuração circular com vários pontos de escavação uniformemente espaçados”, possível preparação para antenas verticais, além de um perímetro de segurança em construção.
As imagens mostram que a floresta no entorno foi desmatada e o solo nivelado. Até agosto, já havia um muro de contenção, ponto de acesso com posto de controle e ao menos seis anéis concêntricos de escavações.
De acordo com o Tochnyi, a instalação “permitiria à Rússia monitorar as comunicações eletrônicas da OTAN em toda a Europa Oriental e na região do Báltico”, além de dar suporte a submarinos no Atlântico Norte. Analistas consideram o local “um nó central na arquitetura de comunicações e inteligência de sinais estratégicos da Rússia”, combinando tecnologia da Guerra Fria com a doutrina moderna de guerra eletrônica.




