Banco do Brasil pede ação da AGU contra perfis que espalham desinformação

Os ataques ao Banco do Brasil começaram após boatos sobre contas de ministros do STF.


O Banco do Brasil solicitou à Advocacia-Geral da União (AGU) que adote providências jurídicas contra perfis de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que “estariam disseminando desinformação”. A informação foi divulgada inicialmente pela jornalista Ana Flor, da GloboNews, que teve acesso ao ofício do banco. O documento lista postagens de perfis que incentivam clientes a fecharem contas e citam boatos considerados uma ameaça não apenas à instituição, mas a todo o Sistema Financeiro Nacional.

Atualmente, o ministro Alexandre de Moraes é alvo da Lei Magnitsky, dos Estados Unidos, que prevê sanções financeiras, como o congelamento de ativos no país e a proibição de realizar negócios com empresas americanas. Instituições estrangeiras que mantiverem ativos de pessoas incluídas na lei também podem ser penalizadas.

O ofício do Banco do Brasil à AGU alerta que “ameaças direcionadas a minar recursos internalizados no Banco do Brasil, por intermédio da disseminação de fake news quanto à existência de sanções estrangeiras ou bloqueio de ativos de magistrados da Suprema Corte, comprometem a estabilidade da ordem econômica, financeira e social e prejudicam o desenvolvimento econômico equilibrado do país”. Desde o início da semana, a instituição implementou uma estratégia de contenção de danos, incluindo contato direto da diretoria com os 100 maiores investidores e orientação a funcionários e gerentes para esclarecer os boatos junto aos clientes.

Os ataques ao Banco do Brasil surgiram a partir de especulações sobre contas bancárias de ministros da Suprema Corte.

BOATOS DE BLOQUEIO DE CARTÃO

O ministro Alexandre de Moraes teve um cartão de crédito do Banco do Brasil, de bandeira americana, bloqueado devido às sanções impostas pelos EUA com base na Lei Magnitsky, conforme publicou o site Valor Econômico na quinta-feira (21). Segundo o jornal, não há confirmação sobre a bandeira do cartão, mas Moraes teria recebido um cartão Elo, de bandeira brasileira, que não realiza operações nos Estados Unidos, como alternativa.

O jornal Folha de S.Paulo havia informado na quarta-feira (20) que o ministro teve um cartão internacional bloqueado por ao menos uma instituição financeira, sem especificar qual, indicando a Elo como opção para manter pagamentos no exterior. Procurado, o Banco do Brasil não se manifestou, e outras instituições ressaltaram que, por sigilo bancário, não poderiam confirmar se Moraes é cliente.