Brics alertam para risco de guerra nuclear e defendem desarmamento

A referência direta à guerra atômica marca uma mudança em relação à abordagem genérica adotada em Kazan, em 2024.


Os líderes do Brics alertaram no domingo (6), na declaração final da cúpula realizada no Rio de Janeiro, sobre os riscos “crescentes” de um conflito nuclear diante da escalada de tensões em diversas partes do mundo.

A menção direta ao perigo de uma guerra atômica representa uma novidade em relação às declarações anteriores do grupo. Em Kazan, na Rússia, em 2024, os países-membros adotaram uma abordagem mais genérica, defendendo a não proliferação e o desarmamento, mas sem destacar riscos imediatos. “Pedimos o fortalecimento da não proliferação e do desarmamento para proteger e manter a estabilidade global e a paz e segurança internacionais”, afirmaram naquela ocasião.

Desta vez, o comunicado foi mais enfático. “Expressamos preocupação com os crescentes riscos de perigo e conflito nuclear”, destaca o texto divulgado pelos chefes de Estado e de governo do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

O tema ganha relevância após declarações do presidente russo Vladimir Putin que, de forma velada ou explícita, já ameaçou o uso de armamento nuclear como resposta ao apoio de potências ocidentais à Ucrânia, em meio à guerra iniciada em fevereiro de 2022.

Na nova declaração, os líderes reiteram: “Reiteramos a necessidade de fortalecer o sistema de desarmamento, controle de armas e não proliferação, e de preservar sua integridade e eficácia para alcançar a estabilidade global, a paz e a segurança internacionais”.

O comunicado também destacou o papel das regiões que proíbem armas nucleares. “Ressaltamos a contribuição significativa das zonas livres de armas nucleares para o fortalecimento do regime de não proliferação nuclear”, conclui o texto.