O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira (2) que mantém uma “boa relação” com o Brasil, sem mencionar nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita durante comentários sobre o avanço de governos e candidatos de direita na América Latina.
“Temos uma boa relação com o Brasil, uma boa relação, na verdade, com praticamente todos eles agora”, disse Trump. Segundo o republicano, os países da região passaram a demonstrar mais respeito pelos Estados Unidos e estariam se aproximando politicamente da direita.
A declaração foi dada após uma pergunta sobre a presença militar norte-americana na América do Sul. Trump desviou do tema e passou a comentar as relações dos Estados Unidos com governos latino-americanos e sua atuação em eleições na região.
A fala ocorre após meses de tensão entre Brasil e Estados Unidos, marcados pela imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e pela revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington. Nas últimas semanas, contudo, houve sinais de aproximação, incluindo uma conversa telefônica entre Lula e Trump, que abriu caminho para a retomada das negociações comerciais.
Trump também mencionou a Colômbia e afirmou ter apoiado a eleição de Abelardo de la Espriella, a quem chamou de “El Tigre”. Segundo o presidente norte-americano, o candidato não era considerado favorito, mas venceu a eleição e estaria realizando um bom trabalho.
O republicano também citou a Argentina e atribuiu a si parte do mérito pelo apoio à eleição de Javier Milei. Em seguida, afirmou que a América Latina estaria passando por uma mudança política, com uma guinada da esquerda para a direita.
“Eles passaram da esquerda para a direita. Estão todos indo para a direita”, declarou Trump, acrescentando que os Estados Unidos estariam mantendo relações de cooperação com países da América do Sul.
Nos últimos meses, Trump passou a manifestar abertamente suas preferências eleitorais na região e apoiou candidatos que posteriormente chegaram ao poder. Ainda não está claro, contudo, qual foi o impacto efetivo de seus endossos nos resultados eleitorais.
Um dos casos ocorreu em Honduras, onde o conservador Nasry Asfura venceu a eleição presidencial por uma margem inferior a um ponto percentual. Trump declarou apoio ao candidato e chegou a conceder indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos Estados Unidos por tráfico de cocaína.
Na Colômbia, Trump também declarou apoio a Espriella após o primeiro turno e, posteriormente, reivindicou influência sobre sua vitória. A associação entre o apoio do presidente norte-americano e o resultado eleitoral, porém, é mais difícil de estabelecer nesse caso.




