Os Estados Unidos anunciaram novas restrições à exportação de minerais críticos utilizados em setores estratégicos, como defesa, tecnologia e energia, em uma tentativa de fortalecer as cadeias de suprimentos nacionais e reduzir a dependência de materiais provenientes da China.
O Departamento de Indústria e Segurança dos EUA determinou, na terça-feira (4), uma proibição temporária, pelo período de um ano, das exportações de “massa negra” — material obtido a partir da trituração de baterias — e de resíduos e sucata de tungstênio, metal essencial para a indústria de defesa.
A medida ocorre em meio à disputa comercial entre Washington e Pequim, marcada por restrições ao comércio de minerais considerados estratégicos. A China domina a produção e o processamento de diversos metais fundamentais para áreas como armamentos, eletrônicos e energia renovável, o que tem aumentado a preocupação dos países ocidentais em relação à dependência de um único fornecedor.
Como resposta, os Estados Unidos e outras nações buscam ampliar fontes alternativas de abastecimento, fortalecer a reciclagem doméstica e desenvolver novas capacidades de processamento.
Na semana passada, o presidente Donald Trump determinou que o Departamento de Comércio elaborasse as novas regras, alegando que a oferta insuficiente de determinados metais representa um risco crescente para a segurança nacional e para a defesa dos EUA.
Pelas novas normas, empresas norte-americanas que comercializam massa negra e resíduos de tungstênio deverão vender esses materiais exclusivamente para compradores dentro do país, salvo quando houver autorização ou exceção concedida pelas autoridades. As restrições devem entrar em vigor ainda neste mês.
O tungstênio, utilizado em munições e outros equipamentos militares, enfrenta crescente pressão sobre sua oferta devido ao aumento da demanda global por produtos de defesa, aos conflitos no Irã e na Ucrânia e às limitações impostas pela China às exportações. O preço do metal registrou forte alta neste ano.
Os Estados Unidos não possuem minas de tungstênio em operação e dependem de importações, embora tenham capacidade limitada para processar parte da sucata produzida internamente. Especialistas apontam que a estrutura atual ainda não é suficiente para transformar todo o material reciclado em novos produtos.
Já a massa negra contém metais utilizados na fabricação de baterias, como lítio, cobalto, níquel, manganês e grafite. Apesar da importância desses componentes para a transição energética, os EUA ainda possuem capacidade restrita de processamento, enquanto grande parte da reciclagem ocorre na Ásia.
A União Europeia (UE) também adotou medidas semelhantes e pretende restringir, a partir de novembro, as exportações de massa negra para países que não fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).




