Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) avançaram, nesta sexta-feira (24), na coordenação sobre minerais críticos, em meio a um esforço mais amplo de aliados ocidentais para reduzir a dependência de materiais estratégicos concentrados em poucos países, especialmente na China.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o comissário de Comércio da União Europeia, Maros Sefcovic, assinaram um memorando de entendimento que estabelece uma parceria voltada à produção e à segurança do fornecimento desses insumos. Um plano de ação específico para o comércio foi anunciado separadamente.
Embora Rubio não tenha mencionado diretamente a China, afirmou que o acordo preliminar reflete uma crescente percepção entre os aliados ocidentais sobre a relevância das cadeias de suprimento e dos minerais críticos para o sucesso econômico.
A iniciativa ocorre em um contexto no qual a China exerce forte domínio sobre o processamento de diversos minerais essenciais e, segundo autoridades ocidentais, tem utilizado essa posição como instrumento geoeconômico, restringindo exportações, influenciando preços e dificultando a diversificação de fornecedores de produtos como semicondutores, veículos elétricos e sistemas de defesa.
Antes da assinatura, Rubio declarou: “A concentração excessiva desses recursos, o fato de serem dominados por um ou dois lugares, é um risco inaceitável. Precisamos de diversidade em nossas cadeias de suprimento”.
Sefcovic afirmou que espera que o memorando impulsione a cooperação entre Washington e Bruxelas e indicou a possibilidade de lançamento, ainda neste ano, de projetos-piloto para testar mecanismos como pisos de preços ajustados na fronteira.
“Pisos de preços ajustados na fronteira” são um tipo de medida comercial usada para evitar que produtos importados entrem em um país por preços artificialmente baixos.
Paralelamente, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, anunciou um plano de ação conjunto para coordenar políticas comerciais relacionadas aos minerais críticos. A proposta busca enfrentar o que os dois lados classificam como “políticas e práticas não orientadas pelo mercado que distorceram as cadeias de suprimento de minerais críticos”.
Segundo Greer, Washington e Bruxelas irão avaliar medidas comerciais, incluindo pisos de preços ajustados na fronteira, com o objetivo de fortalecer as indústrias domésticas de minerais críticos e os setores industriais associados.
O acordo também abre caminho para uma possível aliança mais ampla entre países com interesses convergentes, voltada à coordenação de investimentos, mineração, reciclagem e padrões regulatórios no setor.




