Direita lidera eleição na Colômbia, e disputa vai ao 2º turno

O candidato de direita liderava a disputa, com 43,8% dos votos.


A Colômbia realizou neste domingo (31) o primeiro turno das eleições presidenciais para escolher o sucessor do presidente esquerdista Gustavo Petro. Com 97,6% das urnas apuradas, às 19h30 (horário de Brasília), o candidato de direita Abelardo de la Espriella liderava a disputa, com 43,8% dos votos, seguido pelo candidato de esquerda Iván Cepeda, que registrava 40,9%.

A eleição ocorre em um cenário marcado pela polarização política e pelo aumento da violência no país. Ao todo, 11 candidatos participaram da disputa. Como nenhum dos principais concorrentes alcançou a maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno, a definição da Presidência deverá ocorrer em um segundo turno, previsto para 21 de junho.

Petro está no comando do país desde 2022 e não pode concorrer à reeleição, uma vez que a Constituição colombiana não permite um segundo mandato presidencial consecutivo.

Pesquisas eleitorais apontam vantagem de Espriella sobre Cepeda no segundo turno.

A campanha eleitoral foi marcada pelo agravamento da insegurança pública. Nos últimos meses, os conflitos armados intensificaram-se em diferentes regiões do país, enquanto casos de violência envolvendo agentes políticos aumentaram a preocupação da população. Durante a pré-campanha de 2025, um dos principais nomes cotados para a sucessão presidencial, o senador de direita Miguel Uribe, morreu após sofrer um atentado em Bogotá.

Além dos desafios internos, a Colômbia enfrenta uma escalada de tensões com o vizinho Equador, que tem conduzido operações militares para combater organizações criminosas na região de fronteira entre os dois países.

Os dois principais candidatos representam projetos políticos distintos. Iván Cepeda conta com o apoio de Gustavo Petro e defende a continuidade das políticas sociais implementadas pelo atual governo. Durante a gestão de Petro, o salário mínimo nominal acumulou aumento de 75%, enquanto a taxa de desemprego registrou queda.

Por outro lado, as medidas adotadas pelo atual governo contribuíram para o aumento do déficit fiscal e geraram questionamentos sobre a sustentabilidade das contas públicas. Algumas propostas do Executivo chegaram a ser barradas pelo Congresso colombiano.

Apesar do debate econômico, a principal preocupação dos eleitores continua sendo a segurança pública. Pesquisa do instituto Invamer, divulgada neste mês, apontou que 40% dos colombianos consideram a segurança o maior problema do país. O desemprego e a economia aparecem apenas na quarta posição, com 11% das respostas.

Já Espriella tem, entre suas principais promessas, a construção de dez megaprisões de segurança máxima para reduzir a criminalidade, inspiradas em modelos de endurecimento penal já adotados em outros países. Ele também defende a redução de 40% do tamanho do Estado e a diminuição de impostos para empresas. No campo da segurança pública, propõe a erradicação do narcotráfico e do cultivo de coca, com a destruição de cerca de 330 mil hectares de plantações ilícitas.

O candidato afirma que, caso seja eleito, assinará 90 decretos nos primeiros dias de governo para implementar seu programa, batizado de “País Milagroso”, com forte uso do Poder Executivo para acelerar reformas estruturais.