Horas após a chegada de negociadores iranianos ao Catar para conversas sobre o fim da guerra em curso no Oriente Médio desde 28 de fevereiro, forças americanas realizaram ataques contra locais de lançamento de mísseis no Irã e embarcações que tentavam instalar minas na região, segundo informaram autoridades dos Estados Unidos na noite desta segunda-feira (25).
O Comando Central dos EUA (CENTCOM, na sigla em inglês) classificou as ações no sul do Irã como defensivas e afirmou que o objetivo era “proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”.
“O Comando Central continua a defender nossas forças, mantendo a moderação durante o cessar-fogo em curso”, afirmou o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central norte-americano, em comunicado.
De acordo com Hawkins, os ataques ocorreram nas proximidades de Bandar Abbas, cidade onde está localizada uma importante base naval iraniana próxima ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
A ofensiva ocorreu no mesmo dia em que Israel sinalizou a intenção de intensificar os confrontos contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, no Líbano.
Como os dois conflitos estão diretamente relacionados, uma escalada no território libanês pode dificultar ainda mais a busca por um acordo de paz. O regime iraniano afirmou que qualquer entendimento deverá incluir tanto a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel quanto o conflito entre Israel e o Hezbollah.
Na noite desta segunda-feira, após afirmar que qualquer acordo seria “grande e significativo” ou “não haveria acordo”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou esperar que o Irã entregue a Washington seu estoque de urânio enriquecido ou o destrua diante de testemunhas neutras.
Ainda não está claro se Teerã aceitou a exigência. No entanto, um alto funcionário do governo americano afirmou ao jornal The New York Times, no domingo (24), que representantes iranianos teriam concordado, em princípio, em abrir mão de seus estoques de urânio enriquecido. Já nesta segunda-feira, Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, declarou que o país não discutia detalhes de seu programa nuclear.
Além do futuro do programa nuclear iraniano, outros pontos centrais de um possível acordo de paz permanecem indefinidos, incluindo o destino do arsenal de mísseis do Irã e a forma como eventuais tratativas abordariam as tentativas iranianas de assumir o controle do Estreito de Ormuz.




