EUA voltarão à Lua com humanos em 6 de fevereiro

Os EUA são o único país a levar seres humanos ao satélite natural da Terra.


A NASA afirmou que espera enviar astronautas em uma missão de dez dias ao redor da Lua já em fevereiro deste ano. A agência espacial dos Estados Unidos havia se comprometido anteriormente a lançar a missão até o fim de abril, mas antecipou o cronograma em dois meses.

Já se passaram 50 anos desde que os Estados Unidos — único país a levar seres humanos ao satélite natural da Terra — realizaram uma missão tripulada à Lua. A missão Artemis II levará quatro astronautas ao espaço e os trará de volta à Terra, com o objetivo de testar sistemas e procedimentos essenciais para futuras operações lunares.

A Artemis II é o segundo voo do programa Artemis, que busca levar astronautas novamente à superfície lunar e, no longo prazo, estabelecer uma presença humana permanente no entorno da Lua.

Lakiesha Hawkins, administradora associada adjunta interina da NASA, afirmou que a missão representa um marco na exploração espacial humana.

“Juntos, temos um lugar privilegiado na história”, disse ela durante uma coletiva de imprensa.

O megafoguete da NASA, Space Launch System (SLS, na sigla em inglês), foi transferido para a plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, no estado norte-americano da Flórida, no sábado (17), dando início à fase final de preparação para a primeira missão tripulada norte-americana à Lua em mais de cinco décadas.

Ao longo de quase 12 horas, o SLS, com 98 metros de altura, foi transportado na vertical do Edifício de Montagem de Veículos até a plataforma de lançamento 39B, em um percurso de 6,5 quilômetros. O deslocamento ocorreu a uma velocidade máxima de 1,3 km/h, sobre um transportador de esteiras, e foi acompanhado por transmissão ao vivo.

O foguete começou a se mover às 7h04, no horário local (9h04 em Brasília), e chegou à plataforma às 18h41 (20h41 em Brasília). Agora posicionado, o SLS passará por testes finais, verificações técnicas e um ensaio geral de abastecimento e contagem regressiva antes da autorização para o lançamento.

A NASA informou que, no melhor cenário, o lançamento poderá ocorrer em 6 de fevereiro, embora outras janelas estejam previstas para o fim do mês, além de março e abril.

A tripulação da Artemis II é formada pelos astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do astronauta canadense Jeremy Hansen. Os quatro acompanharam o deslocamento do foguete no Centro Espacial Kennedy.

A missão terá duração de dez dias e levará os astronautas a orbitar a Lua, sem pouso. Será a primeira missão tripulada ao entorno lunar desde a Apollo 17, em dezembro de 1972. O objetivo é preparar o terreno para a Artemis III, que deverá realizar um pouso no polo sul da Lua não antes de 2027.

Koch afirmou que ver o foguete foi uma experiência marcante.

“Os astronautas são as pessoas mais calmas no dia do lançamento. E acho que essa sensação se deve ao fato de estarmos muito preparados para cumprir a missão para a qual viemos aqui, para a qual treinamos”, disse.

Hansen destacou o potencial inspirador da missão.

“A Lua é algo que sempre dei como certa. Observei-a a vida toda, mas depois você só dá uma olhada rápida e desvia o olhar”, afirmou.

“Mas agora tenho observado a Lua com muito mais frequência, e acho que outros se juntarão a nós e observarão a Lua com muito mais frequência, já que haverá humanos voando ao redor do lado oculto — e isso é simplesmente bom para a humanidade.”

Antes de seguir para a Lua, os dois primeiros dias da missão serão passados em órbita da Terra.

“Vamos entrar em órbita quase imediatamente, a 64.000 quilômetros de distância — cerca de um quinto da distância até a Lua”, disse Koch à emissora britânica BBC News.

“Teremos a Terra vista pela janela como uma única esfera, algo que nenhum de nós jamais viu dessa perspectiva.”

Durante o sobrevoo do lado oculto da Lua, a tripulação terá cerca de três horas dedicadas à observação, fotografia e ao estudo da geologia lunar, contribuindo para o planejamento de futuras missões de pouso.