O novo governo da Hungria classificou formalmente a Rússia como uma ameaça à Hungria, à Europa e à “ordem global”, em uma mudança significativa em relação à política de aproximação com o Kremlin adotada pela administração anterior.
A nova posição consta das instruções do governo à delegação húngara que participará da 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em setembro.
O documento, assinado pelo primeiro-ministro Péter Magyar, afirma que “a Hungria condena a agressão militar russa” e declara apoio à soberania e à integridade territorial da Ucrânia. O texto também reconhece o direito de autodefesa de Kiev e aponta a Rússia como uma “séria ameaça à minoria húngara que vive na Transcarpátia”, região localizada no oeste ucraniano.
Segundo a diretiva, Budapeste apoia “quaisquer esforços destinados a iniciar negociações para alcançar uma paz sustentável e garantias de segurança a longo prazo”.
A mudança ocorre após declarações feitas em julho pelo ministro da Defesa da Hungria, Romulus Rusin-Szendi. Na ocasião, ele afirmou que o país estava “fechando as portas” para a Rússia e precisava “restaurar a confiança” com seus aliados.
Durante o governo do ex-primeiro-ministro de extrema direita Viktor Orbán, a Hungria manteve relações próximas com Moscou, além de se opor ou retardar medidas da União Europeia (UE) contra a Rússia e adotar uma postura crítica em relação à Ucrânia.
Desde que Magyar assumiu o poder, após uma vitória expressiva nas eleições de maio, as relações entre Budapeste e Kiev se aproximaram. Apesar da mudança de posicionamento, a Hungria continua sem fornecer ajuda militar à Ucrânia.
A nova orientação representa uma ruptura relevante na política externa húngara e sinaliza uma aproximação maior de Budapeste com seus aliados europeus diante da guerra entre Rússia e Ucrânia.




