Domínio nas Américas “nunca mais será questionado”, dizem os EUA

O vídeo divulgado apresenta um histórico da Doutrina Monroe.


O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, na terça-feira (11), um vídeo no qual afirma que o domínio norte-americano sobre o Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”. A publicação apresenta um histórico da Doutrina Monroe, formulada no século XIX e utilizada como base para a política de influência dos EUA nas Américas.

O vídeo foi divulgado em um momento de maior atenção do governo de Donald Trump à América Latina. A publicação cita a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, realizada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, como um exemplo recente da aplicação da doutrina na região.

Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a operação enviou um “forte sinal a todo o hemisfério”. Maduro foi levado aos Estados Unidos para responder a acusações de narcoterrorismo e permanece preso em Nova York.

“A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, afirma a legenda da publicação.

A Doutrina Monroe foi apresentada em 1823 pelo então presidente James Monroe e estabelecia o princípio de que novas tentativas de colonização ou interferência europeia nas Américas seriam consideradas ameaças aos Estados Unidos. De acordo com o Departamento de Estado, o princípio evoluiu de um alerta à Europa para uma estratégia de predominância regional.

O vídeo menciona episódios como o apoio dos EUA à independência do Panamá, em 1903, e a crise dos mísseis de Cuba, em 1962.

A nova estratégia de política externa do governo Trump também prevê maior atenção à América Latina. Um documento divulgado pela Casa Branca em dezembro de 2025 afirma que os EUA pretendem reajustar sua presença militar no Hemisfério Ocidental para enfrentar ameaças consideradas urgentes.

Entre as medidas previstas estão o aumento da presença da Guarda Costeira e da Marinha norte-americanas para combater o tráfico de drogas e de pessoas, o reforço da proteção das fronteiras e o combate aos cartéis, além da ampliação do acesso norte-americano a locais estratégicos na região.

O documento afirma ainda que os Estados Unidos pretendem “reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe” para recuperar a predominância no Hemisfério Ocidental, tendo como um dos principais focos conter a expansão da influência chinesa na região.