Síria condena al-Assad à morte por crimes contra a humanidade

O ex-ditador Bashar al-Assad governou a Síria por 24 anos.


Um tribunal da Síria condenou, nesta terça-feira (11), o ex-ditador Bashar al-Assad e seu irmão mais novo, Maher al-Assad, à pena de morte por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos de conflito civil no país. A guerra deixou cerca de 500 mil mortos.

Os dois não estavam presentes no julgamento, realizado em Damasco. Ainda não há informações sobre a possibilidade de execução das sentenças. Bashar e Maher fugiram para a Rússia em dezembro de 2024, quando insurgentes avançaram sobre a capital síria e derrubaram o regime.

Bashar al-Assad governou a Síria por 24 anos, desde a morte de seu pai, Hafez al-Assad, em 2000. A segunda metade de seu governo foi marcada pela guerra civil, durante a qual as forças do regime foram acusadas de assassinatos, prisões arbitrárias e tortura.

“Em nome do povo árabe da Síria, o Tribunal decide, por unanimidade, condenar à morte o réu foragido Bashar al-Assad por crimes contra a humanidade e crimes de guerra”, declarou o juiz Fakhr al-Aryan.

Segundo o tribunal, Assad foi responsabilizado por homicídios premeditados e dolosos, incluindo mortes de crianças menores de 15 anos; homicídios acompanhados de tortura e atos de brutalidade; incitação ao homicídio; tortura com resultado de morte; e privação de liberdade em múltiplas ocasiões.

O primo materno de Assad, Atef Najib, também foi condenado à morte no mesmo processo. Ele foi responsabilizado por liderar uma repressão na província de Daraa, no sul da Síria, que, segundo o tribunal, contribuiu para o início da guerra civil e para conflitos sectários.

Najib, ex-general do Exército sírio, permaneceu sob forte esquema de segurança e dentro de uma jaula durante a leitura da sentença. Ele não conseguiu fugir do país após a queda do regime e se tornou um dos integrantes de mais alto escalão da ditadura de Assad a ser levado a julgamento.