Tarcísio e Haddad protagonizam primeiro debate pelo governo de SP

O primeiro debate entre os dois candidatos foi realizado na TV Band.


Os candidatos ao governo de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), protagonizaram, no domingo (9), na TV Band, o primeiro debate do primeiro turno. O encontro teve clima de segundo turno e foi marcado pelo confronto de dados e pela disputa de narrativas sobre o desempenho dos governos estadual e federal.

Sem a presença de outros candidatos com representatividade no Congresso, o debate transcorreu sem ataques pessoais e concentrou-se em temas como educação, segurança pública, o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o combate ao crime organizado.

Haddad destacou a atuação do governo federal em obras e ações realizadas em São Paulo que, segundo ele, foram omitidas por Tarcísio. O petista também buscou associar o governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma tentativa de nacionalizar a disputa.

Tarcísio inicialmente rejeitou esse tom, mas posteriormente adotou a estratégia e passou a elogiar Bolsonaro, seu padrinho político, além de criticar a atuação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O debate foi dividido em três blocos, com perguntas do mediador e de jornalistas, além de confrontos diretos entre os candidatos. No primeiro bloco, Tarcísio e Haddad responderam ao mesmo questionamento e, em seguida, protagonizaram um confronto direto. Cada candidato teve 20 minutos para administrar seu tempo.

No segundo bloco, jornalistas do Grupo Bandeirantes fizeram perguntas aos candidatos. As respostas tiveram dois minutos, enquanto os comentários e as réplicas tiveram um minuto. O terceiro bloco foi novamente dedicado ao confronto direto, com a ordem das falas invertida. Não houve pedidos de direito de resposta.

Na área da educação, Tarcísio defendeu os resultados de sua gestão e apresentou como prioridades para um eventual novo mandato o Pacto pela Matemática, a educação tecnológica com inteligência artificial, a formação continuada de professores, a ampliação das escolas de tempo integral, o ensino profissionalizante e a recuperação da aprendizagem.

Segundo o governador, o estado ampliou em 150 mil o número de matrículas e em quase 500 o número de escolas de tempo integral. Ele também citou programas de bolsa-estágio e tutoria para estudantes.

Haddad afirmou que a situação da educação paulista é, segundo ele, “grave” e criticou o desempenho do estado no ensino médio e na alfabetização. Segundo o petista, São Paulo teria sido ultrapassado por estados como Piauí, Ceará e Pernambuco. Ele também criticou o uso de plataformas digitais e defendeu maior apoio aos professores.

No confronto, Tarcísio rebateu os argumentos e afirmou que os dados deveriam considerar também o ensino profissionalizante. Segundo ele, São Paulo passou de 12% para 42% dos alunos do ensino médio em dupla formação.

Na segurança pública, Tarcísio destacou ações conjuntas do governo estadual com a Prefeitura de São Paulo, o Ministério Público, o Judiciário e a sociedade civil. Ele citou medidas contra o tráfico na região da Cracolândia, a criação de 700 leitos para desintoxicação e de 44 casas terapêuticas.

O governador também afirmou que São Paulo apresenta índices de feminicídio e de mortes violentas de mulheres inferiores à média nacional. Citou a ampliação da rede de proteção, com 144 Delegacias da Mulher e 235 salas DDM funcionando 24 horas.

Haddad, por sua vez, concentrou suas críticas na violência contra as mulheres e nos crimes raciais. Com base em dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que São Paulo vive uma “epidemia de crimes contra a mulher” e questionou quais medidas Tarcísio adotaria em um eventual novo mandato.

Na réplica, Haddad contestou os dados apresentados pelo governador e afirmou que o feminicídio teria crescido 10% em São Paulo no primeiro semestre, enquanto teria havido queda de 2,5% no país. “Então, o país está funcionando”, afirmou.

Haddad também criticou os índices de roubo de celulares na capital paulista e defendeu maiores investimentos em tecnologia para o combate ao roubo de telefones.