O presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella, acusou, nesta terça-feira (7), o presidente esquerdista Gustavo Petro de tentar promover um “golpe de Estado” para permanecer no poder. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, ele pediu que as Forças Armadas colombianas protejam a Constituição e a democracia do país, orientando os militares a não cumprirem ordens que, segundo ele, contrariem esses princípios.
“Petro e Cepeda iniciaram seu Plano B para permanecer no poder a todo custo. E querem fazer isso por meio de um golpe de Estado”, afirmou De la Espriella.
Até a última atualização desta reportagem, Petro não havia respondido às acusações. Mais cedo, porém, o presidente afirmou, sem apresentar provas, que haveria um plano para prendê-lo e convocou a população à “união contra um governo ilegítimo”.
A crise ocorre durante o processo de transição de governo, que será concluído com a posse de De la Espriella em 7 de agosto. O presidente eleito, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, derrotou, no segundo turno, o candidato governista Iván Cepeda, aliado de Petro.
Desde o primeiro turno, realizado em maio, Petro questiona a legitimidade do processo eleitoral. Na ocasião, alegou, sem provas, irregularidades na pré-contagem dos votos e criticou o sistema da empresa Thomas Greg & Sons (TGS), afirmando haver uma suposta divergência de 800 mil eleitores no cadastro.
Também nesta terça-feira, De la Espriella anunciou a suspensão imediata do processo de transição com o governo Petro. Segundo ele, a decisão foi tomada porque o atual presidente se recusa a reconhecer o resultado da eleição e porque sua equipe identificou indícios de corrupção e contratos direcionados na administração.
“Meu dever é proteger os interesses da nação e garantir uma transição séria, transparente e a serviço dos colombianos, jamais legitimar o desastre nem o desrespeito à ordem constitucional”, declarou.
O senador Iván Cepeda reconheceu a vitória de De la Espriella, mas afirmou que permanecerá em “desobediência civil” diante do novo governo.
Apesar das alegações de fraude feitas por Petro, observadores internacionais e autoridades eleitorais descartaram qualquer evidência de manipulação no pleito.
Advogado e sem experiência política anterior, De la Espriella promete reduzir o tamanho do Estado em 40%, incentivar o investimento privado e intensificar o combate às guerrilhas e ao narcotráfico. Ele também já anunciou parte dos nomes que integrarão seu futuro ministério.




