EUA comemoram os 250 anos de sua independência

O país terá dois eventos simultâneos: Freedom 250 e America 250.


No sábado, 4 de julho de 2026, os Estados Unidos completam 250 anos desde a assinatura da Declaração de Independência, em 1776. O chamado semiquincentenário culmina um ano inteiro de festividades que, oficialmente, começaram em maio de 2025 e devem se estender até o fim de 2026.

Em 2016, o Congresso norte-americano criou a comissão bipartidária “America 250” para planejar as comemorações nacionais de forma imparcial. Em 2025, porém, a Casa Branca lançou uma iniciativa paralela, a “Freedom 250”, uma parceria público-privada. Segundo relatório do Congresso, aliados de Donald Trump teriam pressionado doadores a redirecionar recursos da America 250 para a Freedom 250, incluindo uma verba federal de 75 milhões de dólares destinada à comissão original.

O ponto alto da Freedom 250 é a “Great American State Fair”, uma exposição de duas semanas no National Mall, na capital norte-americana, Washington, D.C., inaugurada com um comício de Trump em 24 de junho. Para este sábado, dia 4, está previsto um segundo comício presidencial, que críticos descrevem como uma “homenagem à América” com tom de campanha. O presidente norte-americano prometeu, em suas redes sociais, o “comício mais espetacular de todos os tempos”. Vários estados governados por democratas e artistas musicais recusaram-se a participar dos eventos, alegando proximidade excessiva com a figura de Trump.

A Casa da Moeda dos Estados Unidos também prepara uma moeda comemorativa de ouro com a efígie do presidente.

Paralelamente, a America 250 mantém programação própria, com atos em Nova York, na cidade de Filadélfia e no estado da Califórnia, tradicionais redutos democratas, além de festas de rua por todo o país. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o Monumento a Washington recebeu projeções mapeadas em 360°, narrando a história americana, da colonização à era da inovação. A iniciativa também colocou em circulação seis “Freedom Trucks” — museus móveis que percorrem os 48 estados contíguos dos Estados Unidos, com a meta de alcançar 20 milhões de pessoas em escolas, bibliotecas e parques nacionais.

Para este 4 de julho, a expectativa é reunir mais de 1 milhão de pessoas no National Mall, em Washington, para um dia inteiro de programação, com shows, homenagens a militares e o que os organizadores classificam como a maior queima de fogos de artifício da história.

Mas a celebração da união neste 4 de julho acontece em um momento de profunda divisão política no país. Pesquisas com moradores de cidades como Doylestown, no estado da Pensilvânia, mostram sentimentos contraditórios: enquanto parte da população vê a data como uma celebração inequívoca da maior “experiência democrática” da história, outra parcela teme que o aniversário tenha sido capturado por interesses partidários do presidente Donald Trump.

Organizadores locais de eventos independentes, como a associação sem fins lucrativos America Celebrates, relatam pedidos constantes de garantias de que suas comemorações permaneçam apartidárias.