O grupo terrorista Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão responsável pela administração da Faixa de Gaza, encerrando uma estrutura de governo que controlava o território desde 2007. A decisão abre caminho para que um comitê tecnocrático palestino assuma a gestão civil da região.
O chefe do governo ligado ao Hamas, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo nesta segunda-feira, segundo informou Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia administrado pelo grupo, durante entrevista coletiva. De acordo com ele, apenas servidores técnicos permanecerão em suas funções para evitar um vácuo administrativo durante a transição.
Segundo Thawabta, a medida busca reduzir os impactos da guerra, do atraso na reconstrução, do bloqueio imposto ao território, do fechamento das passagens de fronteira e da permanência das tropas israelenses em áreas da Faixa de Gaza. Ele também pediu que as partes envolvidas acelerem os procedimentos para que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês) assuma, em definitivo, as funções administrativas.
Em comunicado separado, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou que a dissolução da estrutura de governo pretende eliminar justificativas para interferências israelenses e reafirmou o compromisso do grupo de transferir integralmente as responsabilidades de governança ao novo comitê.
A Faixa de Gaza é controlada pelo Hamas desde 2007, quando o grupo assumiu o poder após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado em Ramallah, na Cisjordânia.
A mudança ocorre após reuniões realizadas em junho, no Cairo, Egito, entre facções palestinas e mediadores internacionais para discutir a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza. A proposta apresentada pelo Conselho de Paz, iniciativa liderada pelos Estados Unidos, prevê medidas para o futuro do território, incluindo a reconstrução, o desarmamento, a retirada das forças israelenses e a implantação de uma força internacional de paz.
Também nesta segunda-feira, a Defesa Civil de Gaza informou que cinco palestinos morreram e pelo menos 18 ficaram feridos em ataques israelenses contra áreas residenciais e locais que abrigam deslocados, no sul e na Cidade de Gaza.
Os ataques ocorreram apesar do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025. Hamas e Israel seguem trocando acusações de violações da trégua.
Segundo autoridades de saúde de Gaza, desde o início do cessar-fogo foram registradas 1.072 mortes e 3.463 pessoas feridas. Desde o início da guerra, em outubro de 2023, o território contabiliza 73.098 mortes e 173.571 pessoas feridas.
O Conselho de Paz, criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoiou a decisão e afirmou que o futuro governo de Gaza deverá concentrar o controle de todas as armas em circulação no território. Em comunicado, o órgão reiterou o princípio de uma única autoridade, uma única legislação e um único comando sobre o armamento, atribuindo essa responsabilidade ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, atualmente sediado no Cairo.




