O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (16), o empresário Elon Musk durante discurso na cúpula do G7, na França. O chefe do Executivo brasileiro afirmou que a concentração de riqueza global aumentou a desigualdade entre países ricos e pobres.
“Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, afirmou Lula.
Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo após uma oferta pública inicial de ações (IPO) da SpaceX, realizada na última sexta-feira (12), na Bolsa de Valores dos Estados Unidos. A declaração de Lula ocorre após críticas de políticos de esquerda ao empresário por ele ter se tornado trilionário.
Em seu discurso, que não foi transmitido ao vivo e teve a íntegra divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), Lula também criticou o protecionismo e o unilateralismo, classificando essas políticas como “respostas falaciosas”. O petista não citou Donald Trump nem mencionou diretamente os planos do governo dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros.
A crítica ao protecionismo ocorre em meio à tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano tem usado esse argumento para justificar uma possível elevação de tarifas de 25%, alegando que o Brasil mantém barreiras comerciais superiores às de outras economias.
Segundo o World Tariff Profiles 2025, da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil apresentou uma das maiores médias tarifárias para produtos não agrícolas em 2024, com teto médio de 30,8%. O índice é inferior ao da Índia (70,1%) e do México (34,8%), mas superior ao da China (9,1%), da União Europeia (3,9%) e dos Estados Unidos (3,2%).
Historicamente, o Brasil adota tarifas de importação elevadas em diversos setores para proteger a produção nacional. A política de proteção à indústria também esteve presente em governos de diferentes orientações políticas, como ocorreu com a reserva de mercado de informática, que vigorou entre 1977 e 1991.




