Segundo informou o jornal Financial Times nesta terça-feira (2), os Estados Unidos discutem a possibilidade de ampliar a presença de ativos com capacidade nuclear em países europeus membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
De acordo com a publicação, que cita três fontes familiarizadas com as conversas, autoridades americanas sinalizaram abertura para novas implantações além dos seis países que atualmente abrigam aeronaves norte-americanas capazes de realizar missões nucleares.
A proposta envolveria a expansão do programa para incluir outros países interessados em receber as chamadas aeronaves de dupla capacidade (DCA, na sigla em inglês), que podem conduzir tanto operações convencionais quanto ataques nucleares. Apesar disso, o Financial Times ressalta que não há acordo iminente para ampliar a capacidade de hospedagem de armamentos nucleares dos Estados Unidos na Europa.
Segundo a reportagem, países localizados na fronteira oriental da OTAN, como a Polônia e alguns Estados bálticos, demonstraram interesse em sediar bases para essas aeronaves. As discussões estariam em andamento nos canais da aliança militar.
A agência Reuters não conseguiu verificar a informação de forma independente. A Casa Branca, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e a OTAN não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da agência.
O chefe de políticas do Pentágono, Elbridge Colby, já afirmou publicamente que os Estados Unidos continuarão a utilizar seu arsenal nuclear para proteger os membros da OTAN, mesmo que os aliados europeus assumam maior protagonismo nas operações convencionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integrantes de sua equipe têm criticado os aliados europeus por, segundo eles, investirem pouco em suas capacidades militares e dependerem excessivamente da proteção americana.
Atualmente, aeronaves com capacidade nuclear estão destacadas no Reino Unido, na França, na Alemanha, na Itália, na Bélgica e na Holanda. O programa de compartilhamento nuclear da OTAN permite que aliados europeus abriguem armas nucleares americanas e mantenham aeronaves certificadas para utilizá-las em caso de guerra.
Especialistas estimam que cerca de 100 bombas nucleares americanas do modelo B61 estejam armazenadas em bases na Bélgica, na Alemanha, na Itália, na Holanda e na Turquia como parte desse programa.




