A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, considerada uma das maiores do mundo, realizará sua 30ª edição no dia 7 de junho, na Avenida Paulista, em meio a uma redução de 60% na receita proveniente de patrocínios privados. Em dois anos, o evento passou de 12 marcas patrocinadoras e apoiadoras para apenas três, em 2026, cenário que, segundo a organização e especialistas, reflete uma retração do setor privado diante de pressões globais, sobretudo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, contrárias à agenda da diversidade.
De acordo com a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), a diminuição dos recursos financeiros impactará diretamente a estrutura do evento. O número de trios elétricos será reduzido de 19 para 14, além de haver menos atrações musicais. Alguns artistas confirmados, como Pepita e Melody, abriram mão dos cachês habituais para contribuir com a realização da Parada.
A programação deste ano inclui ainda shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, entre outras atrações.
A queda no investimento também deve afetar a movimentação econômica da capital paulista. Em 2025, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) estimou uma arrecadação de R$ 548,5 milhões impulsionada pelo evento, especialmente nos setores de bares, restaurantes, hospedagem e turismo. Para este ano, a projeção caiu para R$ 466,2 milhões, uma redução de 15%.
Durante o lançamento da programação, realizado na última terça-feira (26), o presidente da APOLGBT-SP, Nelson Matias Pereira, afirmou ao jornal Estadão que o interesse de grandes empresas em patrocinar a Parada ganhou força a partir de 2018, mas registrou retração nos últimos anos. Segundo ele, algumas companhias alegaram dificuldades relacionadas ao calendário das eleições presidenciais no Brasil e à Copa do Mundo de 2026.
No entanto, Pereira avalia que o principal fator para o recuo é o enfraquecimento recente de políticas ligadas à agenda ESG.
“Observamos uma diminuição relacionada a toda a conjuntura política mundial”, disse. “Temos o presidente Donald Trump com políticas antirraciais, anti-LGBT e antifeministas, e aquelas empresas que já não estavam dispostas [a patrocinar] ou que só patrocinavam por causa do pink money [exploração do poder de consumo LGBT+] encontraram uma brecha para se retirar. Já as que permanecem na Parada estão comprometidas com a causa.”
Especialistas em diversidade apontam que o cenário internacional, sobretudo nos Estados Unidos, influenciou o comportamento de parte das empresas brasileiras, levando ao redirecionamento de investimentos anteriormente destinados a iniciativas públicas ligadas à pauta LGBT+.




