Emirados Árabes anunciam saída da Opep e da Opep+

Os Emirados Árabes Unidos são integrantes da Opep desde 1967.


Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram nesta terça-feira (28) sua saída da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da Opep+, segundo informou o ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, à agência Reuters. A decisão foi atribuída a uma revisão das estratégias energéticas nacionais.

A Opep foi criada em 1960 com o objetivo de coordenar a produção de petróleo entre países-membros e influenciar os preços no mercado internacional. Atualmente, conta com 12 integrantes, majoritariamente do Oriente Médio e da África. Já a Opep+, formada em 2016, reúne os membros da organização e outros 11 países produtores, que atuam em conjunto na definição dos níveis de oferta.

A saída dos Emirados, integrantes da Opep desde 1967, ocorre em um contexto de tensões regionais e instabilidade no mercado energético, agravadas por impactos no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto (20%) do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.

Segundo o ministro, a decisão não foi previamente discutida com outros países do bloco. Ele afirmou: “Esta é uma decisão sobre política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção”.

O governo emiradense avalia que a saída não deve provocar impactos significativos no mercado global, mesmo diante das dificuldades recentes de exportação na região.

O anúncio ocorre em meio a críticas dos Emirados a países do Golfo e aliados regionais pela resposta considerada insuficiente a ataques atribuídos ao Irã durante o atual cenário de conflito no Oriente Médio. O país é um dos principais aliados dos Estados Unidos na região.

A decisão também foi interpretada por analistas como um movimento político relevante no equilíbrio interno da Opep, historicamente marcada por divergências entre seus membros, apesar da manutenção de uma postura pública de unidade.

O conselheiro diplomático do presidente dos Emirados, Anwar Gargash, comentou o cenário regional durante evento recente. Ele afirmou: “Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas, política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca”.

E acrescentou: “Eu esperava essa postura fraca da Liga Árabe, e não me surpreende, mas não esperava isso do Conselho de Cooperação do Golfo. Estou surpreso”.