O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, advertiu neste domingo (2), o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, que Washington “tomará as medidas necessárias” se o país não agir contra a influência chinesa no Canal do Panamá.
Após se reunir com Rubio, Mulino indicou que revisará acordos com empresas chinesas e fortalecerá a cooperação com os EUA em migração, mas afirmou que a soberania panamenha sobre a hidrovia “não está em discussão”.
Rubio transmitiu a Mulino uma mensagem de Donald Trump, alertando que a presença da China nos portos próximos ao canal representa uma ameaça e viola o tratado EUA-Panamá. “O secretário Rubio deixou claro que esse status quo é inaceitável e que, na ausência de mudanças imediatas, seria necessário que os Estados Unidos tomassem as medidas necessárias para proteger seus direitos sob o Tratado”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce.
Rubio não especificou quais ações espera do Panamá nem detalhou eventuais retaliações. Trump, ao reassumir a presidência, ameaçou tomar o controle do canal, alegando que Pequim tem influência sobre sua operação. Ele se recusou a descartar o uso da força militar, o que gerou críticas em toda a América Latina.
Rubio, que no Senado apoiava laços comerciais com Pequim, declarou ao programa “The Megyn Kelly Show” que a China poderia utilizar os portos para bloquear a hidrovia em caso de conflito com Washington.
Mulino descreveu seu encontro com Rubio como “respeitoso e cordial” e demonstrou abertura para revisar contratos chineses no Panamá, incluindo uma concessão de 25 anos para a CK Hutchison Holdings, renovada em 2021 para operar os portos nas entradas do canal. Ele aguarda uma auditoria antes de tomar decisões.
O acordo entre Panamá e China para a iniciativa Cinturão e Rota não será renovado. “Vamos estudar a possibilidade de encerrá-lo antecipadamente”, disse Mulino.
Ele negou riscos ao tratado de neutralidade do canal e afirmou que deseja conversas diretas com Trump.
Rubio visita a América Central e o Caribe para fortalecer a influência dos EUA no hemisfério e conter a migração para a fronteira sul americana. A viagem também visa frear a crescente presença econômica e política da China na região.




