EUA querem comprar a Groenlândia, não invadi-la

O território da Groenlândia integra o Reino da Dinamarca, que é membro da OTAN.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está discutindo ativamente com sua equipe de segurança nacional a possibilidade de apresentar uma proposta para comprar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (7). Segundo a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, a iniciativa está em análise, com ênfase em sua viabilidade e nos aspectos que uma eventual aquisição implicaria. “Isso é algo que está sendo ativamente discutido pelo presidente [Trump] e sua equipe de segurança nacional”, afirmou Leavitt ao ser questionada sobre uma possível oferta formal de Washington para adquirir a ilha.

Leavitt reiterou que Trump considera a aquisição da Groenlândia uma questão de interesse para a segurança nacional dos Estados Unidos, com o objetivo declarado de conter a influência e a agressão da Rússia e da China na região do Ártico. “Ele vê isso no melhor interesse dos Estados Unidos para deter a agressão russa e chinesa na região do Ártico”, disse a porta-voz. Apesar de destacar que a diplomacia continua sendo a primeira opção do presidente norte-americano, ela não descartou outras alternativas, incluindo a possibilidade de uso de força militar. “Todas as opções estão sempre na mesa para o presidente Trump”, afirmou.

A declaração da Casa Branca ocorre em meio a uma repercussão internacional significativa sobre o tema, sobretudo entre aliados europeus e membros da OTAN. O território da Groenlândia integra o Reino da Dinamarca, que, assim como os Estados Unidos, é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Qualquer ação que violasse a soberania dinamarquesa seria considerada uma agressão e poderia colocar em risco os fundamentos da aliança militar ocidental, segundo advertências de líderes europeus. Autoridades dinamarquesas, incluindo a primeira-ministra Mette Frederiksen, afirmaram repetidamente que a ilha não está à venda e que um ataque militar dos EUA ao território representaria uma ruptura na cooperação transatlântica.

Questionada novamente sobre a possibilidade de um ato militar, Leavitt reafirmou que Trump sempre prefere a diplomacia, mas que “todas as opções estão sempre na mesa”. “A primeira opção do presidente, sempre, tem sido a diplomacia”, completou.

Mais cedo, o próprio Trump publicou, em sua plataforma Truth Social, declarações defendendo que a presença dos Estados Unidos na OTAN é um fator essencial e que, sem o envolvimento americano, a aliança teria menos capacidade de enfrentar adversários hostis como Rússia e China. “Duvido que a OTAN estaria lá por nós se realmente precisássemos deles”, afirmou, acrescentando que os Estados Unidos continuariam a apoiar a aliança, mesmo que outros membros não retribuam na mesma medida.

Em resposta a questionamentos de jornalistas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que, se Trump identifica uma ameaça à segurança nacional, o presidente norte-americano mantém a opção de enfrentá-la por meios militares, mas que a diplomacia permanece como prioridade. Rubio também sinalizou que pretende se reunir com autoridades dinamarquesas na próxima semana para tratar do assunto.

Segundo reportagem do jornal The New York Times (NYT), Rubio afirmou ao Congresso dos Estados Unidos que Trump pretende tentar comprar o território e que as declarações públicas fariam parte de uma estratégia para forçar uma negociação.