Nicolás Maduro comparecerá diante de um juiz federal em Nova York nesta segunda-feira (5), às 12h no horário local (14h em Brasília). A informação foi divulgada no domingo (4) por um tribunal federal, que fará a notificação formal das acusações apresentadas contra ele.
Maduro é acusado pela Justiça dos Estados Unidos de crimes de narcotráfico e terrorismo. Capturado em Caracas no sábado (3), ao lado de sua esposa, Cilia Flores, ele será apresentado ao Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan.
Segundo a secretária de Justiça do governo Donald Trump, Pam Bondi, o ditador Maduro, Flores e outras quatro pessoas responderão às acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína nos Estados Unidos, porte ilegal de armas de fogo e conspiração para portar armas de fogo. Washington abriu um novo indiciamento contra o ditador, que já era alvo de uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 271 milhões) por sua captura.
A denúncia inclui ainda o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e Nicolás Ernesto Maduro, filho do ditador venezuelano. De acordo com a acusação, os réus teriam conspirado, em conjunto, com organizações como as Farc, na Colômbia, e o cartel de Sinaloa, no México, para traficar cocaína.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, uma das principais vozes na Casa Branca por trás da intervenção na Venezuela, afirmou, no sábado, que Maduro era um “fugitivo da Justiça americana”. Washington acusa Maduro de comandar o “Cartel de los Soles”, cartel que os Estados Unidos declararam como “organização terrorista estrangeira” em 24 de novembro de 2025.
Conforme a acusação, enquanto esteve no poder, Maduro teria buscado “enriquecer a si mesmo e aos membros [do cartel], ampliar seu próprio poder e inundar os Estados Unidos com cocaína, com o objetivo de aplicar os efeitos danosos e viciantes da droga contra americanos”. A Venezuela não é uma grande produtora de cocaína, e as rotas de tráfico que partem do país costumam ter como destino portos europeus.
Na denúncia, o governo Trump afirma ainda que Maduro utilizou a cocaína como “arma contra a América”, retórica semelhante à de outras ações recentes de Trump, como quando classificou o fentanil, principal responsável pela crise de opioides nos Estados Unidos, como uma arma de destruição em massa.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, declarou que o ditador venezuelano “não pode esperar que iria fugir da Justiça por tráfico de drogas nos EUA só porque vive em um palácio em Caracas”. Vance afirmou ainda que Washington ofereceu “uma série de alternativas” a Maduro, sem entrar em detalhes, e disse que a Venezuela precisa “devolver o petróleo roubado” dos Estados Unidos, afirmação já feita anteriormente por Trump. Não está claro a que roubo o governo americano se refere.
O governo dos Estados Unidos indiciou Maduro por tráfico de drogas pela primeira vez em 2020, durante o primeiro mandato de Trump, acusando o ditador de “conspiração narcoterrorista”.




