Vice de Maduro pagará ‘preço muito alto’ se não cooperar, diz Trump

A declaração ocorre um dia após a captura de Nicolás Maduro.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (4) que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pagará um “preço muito alto” caso não coopere com o governo norte-americano. A declaração foi dada por telefone à revista The Atlantic e ocorreu um dia após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, no sábado (3), e sua transferência para um centro de detenção em território norte-americano, em Nova York.

Segundo Trump, as consequências para Rodríguez poderão ser ainda mais severas do que as impostas a Maduro. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, afirmou o presidente norte-americano.

Mais cedo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que o país está disposto a trabalhar com os líderes remanescentes da Venezuela, desde que tomem “a decisão correta”. “Vamos avaliar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que farão”, disse Rubio à emissora norte-americana CBS News. Ele acrescentou: “Sei de uma coisa: se eles não tomarem a decisão correta, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão.”

Rubio afirmou ainda que considera prematuro discutir a realização de eleições na Venezuela neste momento e ressaltou que há “muito trabalho pela frente”.

O dia seguinte à prisão de Maduro pelos Estados Unidos também foi marcado por reações de países aliados ao regime venezuelano. A Coreia do Norte afirmou que os ataques norte-americanos à Venezuela representam a “forma mais grave de violação de soberania”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano declarou estar atento à gravidade da situação no país sul-americano, atribuída, segundo o país, ao “ato de arbitragem dos EUA”. “O incidente é mais um exemplo que confirma, claramente, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA”, afirmou o governo norte-coreano, acrescentando que a situação atual na Venezuela gerou uma “consequência catastrófica”.

Também neste domingo, o Ministério das Relações Exteriores da China defendeu que os Estados Unidos libertem imediatamente o ditador Maduro e sua esposa, Cilia Flores, além de resolver a crise no país por meio do diálogo e da negociação. Em comunicado publicado em seu site, o ministério chinês afirmou que Washington deve garantir a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa, alegando que, segundo Pequim, a deportação “violou o direito e as normas internacionais”. A China é uma das principais parceiras políticas e econômicas do regime venezuelano e, nos últimos anos, tem sustentado que disputas internas no país devem ser resolvidas “pelo povo venezuelano, sem interferência externa”.