PIB dos EUA dispara e cresce 4,3% no 3º trimestre

O PIB dos EUA acelerou em relação ao 2º trimestre, quando cresceu 3,8%.


A economia dos Estados Unidos manteve ritmo vigoroso de crescimento até o fim de setembro, apesar das incertezas provocadas pelas tarifas e das preocupações generalizadas com a capacidade de pagamento das famílias. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou a uma taxa anual de 4,3% no terceiro trimestre, acelerando fortemente em relação ao período anterior, quando o PIB norte-americano cresceu 3,8%.

Os dados indicam que, mesmo diante do pessimismo do consumidor e de um mercado de trabalho em desaceleração, a economia de cerca de US$ 30 trilhões iniciou outubro em posição relativamente sólida, superando projeções pessimistas feitas meses antes. “Isso mostra uma economia que é, em sua maior parte, sólida, na verdade ainda funcionando a pleno vapor, embora eu ainda ache que haja muita volatilidade nos dados trimestrais”, afirmou Michael Pearce, economista-chefe para os EUA da Oxford Economics. “A maior parte da força vem das famílias americanas mais ricas.”

A renda pessoal disponível, após impostos e ajustada pela inflação, permaneceu estável, sinalizando que a alta persistente de preços continua corroendo o poder de compra. Ainda assim, um indicador de crescimento subjacente — que combina investimento privado e consumo das famílias — manteve-se firme. Parte relevante do avanço no trimestre decorreu de gastos militares. Os lucros corporativos totais cresceram US$ 166 bilhões no período, frente a US$ 6,8 bilhões no trimestre anterior. Em contrapartida, o investimento empresarial, impulsionado nos últimos meses pela expansão de sistemas de IA, apresentou desaceleração.

Apesar disso, a economia americana mostrou-se mais resiliente do que o previsto por muitos analistas, mesmo com as amplas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O consumo, responsável por cerca de 70% da atividade econômica do país em um ano típico, cresceu a uma taxa anualizada de 3,5% no trimestre. “Mesmo com o consumo retomando o controle em relação ao investimento, a economia mantém um ritmo considerável”, disse Paul Ashworth, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics.

As oscilações no comércio exterior, influenciadas pelas políticas tarifárias, seguem afetando os dados trimestrais. Após a antecipação de importações no início do ano, houve queda acentuada das compras externas e aumento das exportações. Economistas recomendam analisar o desempenho anual para reduzir distorções.

A Casa Branca afirmou que o consumo robusto reflete “confiança do público na economia” e que o aumento das exportações evidencia um “boom de exportações”. Investimentos ligados à IA responderam por quase metade do crescimento anual do PIB no primeiro semestre, segundo a Principal Asset Management, embora os dados mais recentes indiquem maior irregularidade.

O crescimento sustentou ganhos nos mercados financeiros: o S&P 500 acumula alta de cerca de 17% no ano, enquanto o Nasdaq supera 20%. O consenso aponta expansão positiva no quarto trimestre e em 2026, porém em ritmo mais moderado, próximo de 2%. A desaceleração das contratações e o aumento de custos seguem como riscos à confiança do consumidor, embora cortes de impostos aprovados neste ano pelo Congresso dos Estados Unidos possam impulsionar o consumo das famílias em 2026.