2025 está chegando ao fim, mas o contribuinte brasileiro precisou trabalhar até o dia 29 de maio apenas para quitar impostos, taxas e contribuições. O dado integra o levantamento anual do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
A data representa 149 dias de trabalho no ano — o equivalente a 4 meses e 29 dias — dedicados exclusivamente ao pagamento de tributos aos governos federal, estadual e municipal. Na prática, isso significa que 40,82% da renda média anual do brasileiro foi destinada ao financiamento do setor público. Nesta sexta-feira (19), segundo o site Impostômetro, os brasileiros já pagaram R$ 3,832 trilhões em impostos, no período de 1º de janeiro até então.
CARGA ALTA, RETORNO BAIXO
Apesar da alta carga tributária, o Brasil segue na última posição do IRBES (Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade), elaborado pelo próprio IBPT. O estudo compara a arrecadação de tributos com os investimentos realizados em áreas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura e segurança pública. Assim, mesmo estando entre os países que mais tributam sua população, o Brasil apresenta um dos piores retornos em qualidade de vida.
Segundo o ranking do IBPT, os países mais bem posicionados no retorno de tributos à população são:
1º Irlanda;
2º Suíça;
3º Estados Unidos;
4º Austrália;
5º Israel.
O Brasil ocupa, segundo o ranking, o último lugar, na 30ª posição. A Itália fica em 29º, a Áustria em 28º, Luxemburgo em 27º, a Bélgica em 26º e a Dinamarca em 25º.
O QUE INFLUENCIONOU?
O aumento no número de dias trabalhados para o pagamento de tributos em 2025 foi impulsionado por diferentes fatores. Entre eles, a reoneração da folha de pagamento: desde abril de 2025, empresas de 17 setores da economia voltaram a recolher a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha salarial. A mudança segue o cronograma de transição da Lei nº 14.973/2024, que prevê reoneração gradual até 2028.
Outro fator foi a elevação do ICMS em estados que ajustaram as alíquotas modais, em especial para ampliar a participação na futura arrecadação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), prevista na reforma tributária. A partir de 1º de abril de 2025, dez estados passaram a adotar alíquota de 20%: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Embora a alteração tenha ocorrido no fim do período analisado, seus efeitos devem ser mais perceptíveis nos dados de 2026.
Também entrou em vigor a tributação de importações de pequeno valor. A medida passou a incidir sobre remessas internacionais de até US$ 50, dentro do programa Remessa Conforme, e elevou a arrecadação em 0,46 ponto percentual do PIB.




