O presidente da China, Xi Jinping, criticou duramente a prática de inflar números de crescimento econômico no país e afirmou que irá reprimir a busca por projetos “irresponsáveis” cujo objetivo seja apenas apresentar resultados superficiais. As declarações foram feitas durante a Conferência Central de Trabalho Econômico e divulgadas em reportagem publicada no domingo (14) pelo Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês.
“Todos os planos devem ser baseados em fatos, visando um crescimento sólido e genuíno, sem exageros, e promovendo um desenvolvimento sustentável e de alta qualidade”, disse Xi. Segundo ele, “aqueles que agem de forma imprudente e agressiva, sem levar em conta a realidade, impõem exigências excessivas ou alocam recursos sem a devida consideração, devem ser responsabilizados rigorosamente”.
O líder chinês utilizou uma linguagem direta ao cobrar maior qualidade nos ganhos econômicos e citou exemplos de irregularidades, como parques industriais desnecessariamente grandes, expansão desordenada de exposições e fóruns locais, estatísticas infladas e “inícios de construção falsos”. As declarações evidenciam a preocupação do governo central da China com a qualidade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e com o uso eficiente dos recursos financeiros, especialmente em um contexto de aumento da dívida dos governos locais, que limita a capacidade de gasto público.
Xi também afirmou que os funcionários não devem ser avaliados apenas pela taxa de crescimento do PIB, mas também por suas ações para garantir o bem-estar da população e a estabilidade social. Segundo ele, tanto o que é feito para estabelecer bases sólidas para a economia de longo prazo quanto as medidas de estímulo imediato são relevantes. As declarações sugerem uma possível reformulação dos critérios atualmente usados para avaliar autoridades locais.
Durante décadas, o desempenho econômico da China, sobretudo medido por indicadores de curto prazo, foi determinante para promoções dentro do aparato estatal. Embora esse modelo tenha impulsionado o rápido crescimento do país, seus efeitos colaterais, como o acúmulo de dívidas locais e a sobrecapacidade em determinados setores, tornaram-se mais evidentes nos últimos anos. Xi defendeu que “o sistema de avaliação seja mais direcionado e científico, para que funcione eficazmente como a batuta de um maestro”.
Como exemplos de avanços com benefícios duradouros, o presidente chinês citou a autossuficiência tecnológica, a melhoria da qualidade do ar e a expansão da energia renovável, ressaltando que esses progressos resultaram de esforços persistentes. Ele também alertou contra investimentos “ineficientes”, que resultam no abandono de projetos logo após sua conclusão.
O líder chinês pediu atenção à recente queda do investimento em ativos fixos, que recuou 2,6% nos primeiros 11 meses de 2025, caminhando para o primeiro declínio anual desde, pelo menos, 1998, mas recomendou que a situação seja enfrentada com cautela. As declarações retomam críticas feitas por Xi no início do ano, quando questionou a concentração excessiva de governos locais nos mesmos setores emergentes. “Quando se trata de lançar novos projetos, são sempre as mesmas poucas coisas: inteligência artificial, poder computacional, veículos de novas energias”, disse ele em julho. “Será que todas as províncias do país deveriam desenvolver indústrias nessas áreas?”




